O PS considera que o líder do PSD não iniciou um novo ano político esta noite, num discurso no Algarve, antes repetiu o discurso que faz desde as eleições e aproveitou para criticar “com desfaçatez” o aumento extraordinário das pensões.

“Passos Coelho ainda não terá percebido que o país seguiu outro rumo e que é um rumo que está a resultar”, disse à agência Lusa Ana Catarina Mendes, secretária-geral adjunta do PS, a propósito do discurso desta noite de Passos Coelho, apelidando depois o líder social-democrata de “um homem só, desnorteado, errático e prisioneiro do seu passado”.

No discurso na Festa do Pontal, em Quarteira, que tradicionalmente marca a “rentrée” política do PSD, Pedro Passos Coelho acusou o PS e os partidos que o apoiam no Parlamento (PCP, BE e PEV) de imobilismo e disse que o sistema de comunicações de emergência SIRESP “tem a cara do atual primeiro ministro”, já que foi aprovado quando António Costa era ministro da Administração Interna.

Disse ainda ser eleitoralismo o aumento de pensões em agosto, “justamente a um mês da campanha eleitoral para as eleições autárquicas”.

Par a dirigente socialista, a critica ao aumento extraordinário de pensões, “para compensar quatro anos sem qualquer aumento das pensões mais baixas”, não merece sequer mais comentários, tal a “desfaçatez” de Passos Coelho.

O ponto é aquele que nós todos sabemos, Passos Coelho nunca quis aumentar as pensões, antes pelo contrário, cortou sempre pensões. Aquilo que o Governo fez foi um aumento extraordinário das pensões, que foi aprovado no Orçamento do Estado, precisamente para compensar a ausência de qualquer aumento as pensões mais baixas em quatro anos”, salientou a líder socialista.

Quanto às criticas de Passos Coelho à atuação do Governo no que diz respeito ao combate aos incêndios e as falhas do SIRESP, “a cara” do primeiro-ministro, Ana Catarina Mendes reafirmou que o PS não usará a tragédia de Pedrógão Grande (64 mortes num incêndio) como arma de arremesso político, acrescentando, quanto ao SIRESP, que a frase de Passos foi “um ataque pessoal absolutamente descabido e típico dos discursos demagógicos”, como foi o do líder social-democrata.

Sob a liderança de Passos Coelho, o PSD “continua muito à direita do seu lugar no sistema democrático português e que honrava a sua história e a sua tradição democrática”, disse.