O XVI Congresso do PS começa esta sexta-feira em Espinho, tendo como únicas questões em aberto o possível anúncio do cabeça de lista socialista às eleições europeias e o «tabu» de Manuel Alegre sobre a sua presença, refere a Lusa.

Reeleito há 15 dias secretário-geral do PS com mais de 96 por cento dos votos, José Sócrates parte para o congresso sem qualquer oposição organizada e com uma moção que representa uma viragem dos socialistas à esquerda e aos princípios de Estado forte e dinamizador da economia.

Ao longo dos três dias de trabalhos, José Sócrates deverá fazer dois discursos de fundo: o primeiro hoje à noite, de carácter mais interno, após a eleição de Almeida Santos para o cargo de presidente do partido; o segundo, na sessão de encerramento, no domingo, tradicionalmente mais voltado para as questões do país.

Apesar de a moção política global de José Sócrates ter a concorrência de dois documentos alternativos (subscritos por António Brotas e Fonseca Ferreira), ninguém tem dúvidas que os 1729 delegados eleitos pelas bases e os 133 inerentes com direito a voto elegerão sábado o projecto do líder por maioria esmagadora.

A primeira das únicas duas dúvidas deste congresso é saber se Manuel Alegre, que faz parte da comissão de honra do congresso, estará presente em Espinho.

Caso o ex-candidato presidencial decida não estar presente no congresso (que lhe é maioritariamente hostil), representará da sua parte mais um sinal de afastamento em relação ao seu partido, num ano em que se disputarão eleições europeias (Junho), legislativas e autárquicas (no Outono).

Até agora, o vice-presidente da Assembleia da República tem feito um tabu sobre a sua presença ou não no congresso de Espinho, recusando-se a fazer declarações sobre o assunto.

Outra questão em aberto é saber se José Sócrates aproveita o congresso para lançar o cabeça de lista do PS às eleições europeias, tal como aconteceu em 1999, quando o então líder António Guterres anunciou o nome de Mário Soares na sessão de encerramento.

Elementos do Secretariado Nacional do PS disseram que a escolha do cabeça de lista às europeias, bem como a gestão do calendário do seu anúncio, são decisões que estão exclusivamente nas mãos de Sócrates.

Entre os principais dirigentes socialistas, admite-se que, se o congresso não estiver a possuir o impacto mediático desejado pelo secretário-geral do PS, este possa aproveitar a sessão de encerramento de domingo para anunciar o cabeça de lista às europeias.

Nas últimas semanas, nos meios socialistas, têm sido avançados os nomes do fundador do CDS, Freitas do Amaral, do ministro de Estado dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, do ex-secretário-geral do PS Ferro Rodrigues (o preferido pela ala esquerda) e do governador do Banco de Portugal, Victor Constâncio.

Nos três dias de congresso, estarão em debates duas questões classificadas como fracturantes na sociedade portuguesa: o casamento entre pessoas do mesmo sexo (proposta de José Sócrates) e a abertura da discussão sobre a eutanásia (moção sectorial subscrita em primeiro lugar pelo deputado Marcos Sá).