O PS afirmou que a «economia portuguesa está a caminho da estagnação», apontando alguns indicadores do primeiro trimestre como os dados do desemprego divulgados nesta sexta-feira.

Para o socialista Pedro Marques, a maioria do Governo poderá considerar como «muito positivos» os dados divulgados, mas considerou que essas afirmações estarão «longe da realidade» e que os «indicadores são preocupantes».

«A verdade é que o emprego caiu em mais de 40 mil postos de trabalho no primeiro trimestre em relação ao final do ano passado e a redução da taxa de desemprego a que se referirão certamente os partidos da maioria tem apenas uma explicação: uma queda brutal da população ativa», argumentou, em declarações aos jornalistas no parlamento.

O deputado referiu haver «mais 60 mil pessoas, que infelizmente deixaram de procurar trabalho ou emigraram apenas num trimestre».

Relativamente às declarações do primeiro-ministro durante o debate quinzenal sobre a possibilidade de nova subida de impostos no caso de nova decisão de inconstitucionalidade, os socialistas dizem-se «muito preocupados».

«Para uma nova decisão que eventualmente se adivinha, o primeiro-ministro já promete mais aumento de impostos para os portugueses. Assim não vamos lá», argumentou.

Pelo PCP, a deputada comunista Carla Cruz também criticou a «ameaça» do primeiro-ministro de aumentar impostos em caso de novos «chumbos» por parte do Tribunal Constitucional e lembrou os muitos desempregados escondidos das estatísticas.

«Esta nova informação junta-se ao aumento de impostos já contemplado no Documento de Estratégia Orçamental (DEO) e, portanto, esta é uma ameaça que o Governo quer fazer aos portugueses, que acontecerá caso o TC cumpra a Constituição da República», disse, na Assembleia, apelando ao voto na Coligação Democrática Unitária nas eleições europeias de 25 de maio «para derrotar» o executivo da maioria PSD/CDS-PP.

Quanto ao desemprego, Carla Cruz considerou que os «números não conseguem esconder que 70 mil portugueses estão em falsos empregos». «O Governo colocou-os em programas de formação profissional para esconder esta situação do desemprego. Escondeu outros 67 mil, que não contam na estatística, porque emigraram ou encontraram outra solução», alertou, falando de uma situação «dramática, que o país não consegue aguentar».

Igualmente o Bloco de Esquerda defendeu que a ligeira descida da taxa de desemprego está relacionada com o aumento da emigração e diminuição do número de portugueses com postos de trabalho.

«Não obstante esta ligeira descida dos dados do desemprego, menos 20 mil desempregados, continua a ser bastante e muitíssimo preocupante o número das pessoas que estão empregados e que estão a descer sucessivamente. O que significa que temos, se contarmos com os dados também da emigração, menos 42 mil pessoas empregadas, e mais 12.600 pessoas que emigraram», disse aos jornalistas Mariana Aiveca.

A deputada do BE adiantou que os dados do INE sobre o desemprego «não são nada animadores», sendo esta ligeira descida feita «à custa de menos pessoas com postos de trabalho».

«Há de facto uma destruição líquida de emprego e por isso esta pequena descida taxa do desemprego tem que ser vista à luz daquilo que são as pessoas empregadas e são menos», afirmou Mariana Aiveca.