O secretário nacional do PS acusou hoje o Governo de querer desviar as atenções ao desafiar os socialistas para uma «base de entendimento orçamental», insistindo que o essencial agora é que divulgue a carta de intenções com a "troika".

«O Governo tem de cumprir o dever de transparência com os portugueses e não investir todos os dias em questões para tentar desviar a atenção do essencial, o essencial neste momento é que o Governo tem de divulgar a carta de intenções com a "troika" e os compromissos que assumiu para os próximos anos», afirmou o secretário nacional do PS, António Galamba, em declarações à Lusa a propósito do desafio aos socialistas feito pelo ministro da Defesa.

Esta manhã, o ministro da Defesa Nacional, Aguiar-Branco, desafiou o PS a apresentar o seu «caderno de encargos» para uma «base de entendimento orçamental» com a maioria e o Governo, para os próximos anos.

«O meu desafio, que lanço daqui ao Partido Socialista, se não gosta da palavra consenso, é ter a disponibilidade para nós chegarmos a uma base de entendimento orçamental para os próximos anos», afirmou o ministro da Defesa Nacional, que intervinha num debate organizado pela Confederação de Serviços de Portugal (CSP), num hotel de Lisboa, sobre os desafios do «pós-troika».

Considerando que o ministro da Defesa não devia «brincar com coisas sérias», António Galamba ironizou que Aguiar-Branco deve ser o membro do Governo que hoje está de «turno» para tentar desviar a atenção do essencial.

«O Governo acaba de aprovar e enviar para Bruxelas um documento de estratégia orçamental, todos os dias assume compromissos para além da legislatura e do mandato que tem, sempre na linha de mais austeridade, mais aumento de impostos e mais sacrifício, e agora lembrou-se que é preciso um contributo do PS. Nada disto faz sentido», acrescentou, lembrando que a estratégia orçamental que o PS defende é diferente da concretizada pelo Governo.

António Galamba assinalou ainda a divergência de opiniões entre o ministro da Defesa e o primeiro-ministro, com Aguiar-Branco a dizer que o aumento de impostos tem «uma dimensão maligna», enquanto para Pedro Passos Coelho «o aumento do IVA e a TSU são medidas amigas da economia».