O antigo Presidente da República Mário Soares pediu, esta quinta-feira, «democracia a sério», reiterando críticas às medidas de austeridade protagonizadas pelo Governo da maioria PSD/CDS-PP, que diz estarem a desmantelar o «Estado-Saúde».

«O que é preciso é haver democracia a sério, não destruírem o Estado-Saúde e não fazerem isto que estão a fazer às pessoas, que estão todas a morrer à fome e desesperadas», afirmou, à margem de uma homenagem a históricos socialistas, na fundação com o nome do ex-Chefe de Estado.

O fundador do PS recusou comentar a polémica em torno da venda, entretanto suspensa, da coleção estatal de 85 quadros do artista catalão Joan Miró, oriundas do nacionalizado BPN, mas precisou a sua teoria sobre a influência crescente do poder na Comunicação Social.

«Os jornalistas estão numa situação muito difícil, eu compreendo isso. Ou dizem o que os patrões querem e os leitores desaparecem ou não dizem porque têm medo dos patrões, mas quem se lixa são os patrões porque não têm suficientemente gente que vote neles», disse.

Num artigo de opinião publicado na terça-feira no Diário de Notícias, Soares afirmara ter percebido que «alguns jornalistas estavam a ser comprados pelo Governo, direta ou indiretamente», especificando que «simplesmente mudaram de ideologia e de sentido para agradar a quem lhes pagava».