O líder do PS, António José Seguro, afirmou hoje, no Funchal, «ser melhor esperar para ver» quanto a uma eventual baixa do IRS em 2015, dado que o Governo muitas vezes diz uma coisa e faz outra.

Com este Governo, «todos os cuidados são poucos», afirmou Seguro aos jornalistas, questionado sobre a notícia do semanário Expresso acerca de um possível corte da sobretaxa do IRS no próximo ano, que seria compensado com receitas de impostos ambientais.

«Se há uma coisa que o caracteriza [o Governo] é dizer uma coisa e depois fazer outra e, em relação aos impostos, já ouvimos de tudo, inclusivamente de vários membros do Governo», afirmou o secretário-geral socialista, após um encontro com o presidente da câmara do Funchal, Paulo Cafôfo.

Questionado sobre a declaração do seu opositor nas eleições primárias do partido de 28 de setembro, António Costa, de não responder mais a ataques pessoais na campanha interna, António José Seguro realçou que vai «estar como sempre esteve».

«Dizendo aquilo que é preciso dizer para garantir aos portugueses que o projeto de mudança, de separação entre política e negócios e de criação de condições para colocar o pais continuar a crescer se vai concretizar», afirmou.

O líder socialista destacou que «Portugal precisa de uma mudança profunda» e que pela primeira vez houve uma abertura enorme do sistema partidário, permitindo a militantes e simpatizantes do partido escolher o candidato a primeiro-ministro.

Autonomia precisa de mudança no poder regional

Antes o secretário-geral do PS e candidato à liderança do partido tinha defendido que a autonomia não tem cor, é um arco-íris, que não convive com o despotismo, sustentando que a da Madeira precisa de «uma mudança no poder regional».

«A autonomia da Madeira precisa é de uma mudança do poder regional», afirmou António José Seguro após se ter reunido com o presidente da Câmara Municipal do Funchal, no âmbito da visita que efetua hoje à região autónoma.

Para o líder socialista, «a autonomia da Madeira só tem sentido se corresponder ao respeito pela autonomia do poder local», adiantando que «só entende a autonomia da região quem é capaz de concretizar e respeitar a autonomia do poder local».

Seguro argumentou ainda que «a autonomia não tem cor, não é laranja, é plural, é um arco-íris, de todas as cores, e só convive com democracia, não convive com despotismo», assegurando ser um defensor do aprofundamento da autonomia regional.

«Aquilo que farei como primeiro-ministro de Portugal é respeitar a autonomia da Madeira e Açores. É necessário respeitar a autonomia», disse.

O candidato reforçou que «todos os poderes locais, independentemente das opções políticas dos presidentes de câmara, devem ser respeitados», vincando que esta é a atitude que «se espera do poder e do Governo Regional».

António José Seguro opinou também ser necessário mudanças no Centro Internacional de Negócios da Madeira (CINM), sustentando que apenas devem usufruir de benefícios fiscais aquelas empresas que se sediarem nesta região, as que cumprirem o critério de criar investimento e postos de emprego no arquipélago.

No seu entender, a gestão deste centro internacional deve igualmente ser «feita por uma sociedade de capitais totalmente públicos», devendo o dinheiro gerado ser «exclusivamente empregue na Região Autónoma da Madeira».

Instado a comentar a demora na divulgação do resultado da investigação à alegada dívida oculta da Madeira pela Procuradoria-geral da República, avaliada em 6,3 mil milhões de euros, o responsável do PS considerou ser «relevante que toda a verdade, em processos que envolvem recursos públicos venham ao de cima», devendo ser do conhecimento dos portugueses.