O secretário-geral do PS recusou hoje entrar numa «querela partidária» sobre as infraestruturas prioritárias alvo de investimento público nos próximos anos, reiterando disponibilidade para o diálogo se o Governo disponibilizar os estudos envolvidos.

«O Partido Socialista esteve sempre e está sempre disponível para debater as grandes questões do país», afirmou hoje António José Seguro aos jornalistas em Londres, onde foi recebido pelo líder do partido Trabalhista, Ed Miliband.

O secretário-geral do PS diz que há duas semanas que o PS espera que o Governo disponibilize os estudos que fundamentaram o documento, que define um total de 30 projetos prioritários para os próximos seis anos, num investimento global de 5.103,8 milhões de euros.

«Quando se apresenta uma proposta que envolve muitos milhões de euros de fundos comunitários, de grandes investimentos para o país, é muito importante que se saiba qual é a estratégia e o fundamento dessa proposta. Aquilo que nós exigimos é que o Governo nos dê, partilhe connosco, os mesmos estudos que estiveram na base das escolhas do Governo», justificou.

Seguro referiu, por exemplo, a ausência de um projeto na área das telecomunicações, que considera «vitais para a era moderna».

«O país está cheio de querelas políticas e partidárias. Não vamos fazer deste assunto nada que não seja uma discussão séria porque estão em causa grandes investimentos para o nosso país», disse.

O secretário de Estado dos Transportes reiterou hoje o convite ao PS para se reunir no Ministério da Economia durante o mês de março, para discutir as infraestruturas prioritárias alvo de investimento público nos próximos anos.

«É um debate demasiado rico e sério para que o principal partido da oposição se coloque de fora», insistiu Sérgio Monteiro, em conferência de imprensa, no Ministério da Economia, em Lisboa, referindo tratar-se do terceiro convite feito ao PS.

O relatório elaborado pelo grupo de trabalho que definiu um total de 30 projetos prioritários até 2020, o qual aponta os portos e a ferrovia como prioridades para o investimento em obras públicas até 2020.

O grupo de trabalho refere que o financiamento prioritário deve provir de fundos comunitários (3.132 milhões de euros), do Estado (que ficaria responsável por 1.428,1 milhões de euros) e só uma pequena parte (543,6 milhões) deve ser adjudicada ao setor privado.