A candidata à Presidência da República Maria de Belém defendeu esta quarta-feira a necessidade de ser tomada uma “decisão rápida” para o país entrar em estabilidade política, na sequência da demissão do Governo PSD/CDS-PP.

“Como sabem foi tomada uma decisão na Assembleia da República, essa decisão transfere novamente agora o processo para as mãos do sr. Presidente da República e aquilo que eu espero é que seja tomada uma decisão rápida para que o país entre em estabilidade política, não só porque ela é precisa internamente, como é também necessária em termos externos”, afirmou Maria de Belém.


A ex-ministra socialista falava aos jornalistas no decurso de uma visita à Feira Nacional do Cavalo, na Golegã, distrito de Santarém.

Na terça-feira, o parlamento aprovou a moção de rejeição do PS ao Programa do XX Governo Constitucional, com 123 votos favoráveis de socialistas, BE, PCP, PEV e PAN, o que implica a demissão do executivo PSD/CDS-PP, que se mantém em regime de gestão até um futuro executivo tomar posse.

Questionada se o chefe de Estado deve fazer mais alguma exigência ao PS, PCP, PEV e Bloco de Esquerda na sequência dos acordos firmados por estes partidos, Maria de Belém escusou-se a fazer comentários.

“Aquilo que eu exprimo é um voto e um desejo, é que tudo corra muito bem, que a estabilidade política seja alcançada e que o país entre na sua rotina para que as pessoas encontrem e reencontrem um governo estável e para que toda essa estabilidade também consiga dar valores referenciais para efeitos da maneira como externamente nos olham”, adiantou.

À pergunta qual será a sua decisão se for eleita Presidente da República se o Governo ficar em gestão, a candidata rejeitou “trabalhar com base em cenários”, reiterando que “um governo de gestão durante tantos meses” não permitiria ao país cumprir os compromissos, designadamente os europeus.

“Penso que não é uma situação desejável, que não garante a tal estabilidade e o tal entrar numa rotina de governação e, sobretudo, de imagem externa de estabilidade que serve o país neste momento”, salientou.

Para Maria de Belém, Cavaco Silva “deve agora avaliar o acordo que lhe for apresentado”, falar com os partidos políticos e tomar as suas decisões, insistindo ser “absolutamente inadequado que os candidatos estejam agora a fazer projeções e cenários para daqui a seis meses”.

“O meu voto, a minha preocupação, o meu desejo é que na sequência das decisões de uma Assembleia da República que está em plenitude de funções que o país encontre a estabilidade que é necessária”, acrescentou.