O eurodeputado socialista Francisco Assis vai reunir-se com militantes do PS no sábado, na Mealhada, Aveiro. Mais de 100 socialistas vão juntar-se à corrente do eurodeputado, que é contra um acordo à esquerda. Quem já admite apoiá-lo é Vera Jardim. O ex-ministro da Justiça prefere a "solução Assis" a um acordo sem “contas que batam certas".

Em entrevista à Rádio Renascença, Jardim diz que espera para ver, antes de tomar uma decisão em definitivo. Jardim considera "difícil" um acordo para quatro anos, mas é "desejável" que seja mesmo para toda a legislatura.

Como? Com "medidas terem que ser concretas, bem desenhadas e assinadas pelos três partidos"  e com a adesão a um "conjunto de princípios". Mas, neste momento, não é isso que antecipa, até porque está em cima da mesa não se apresentar uma moção conjunta. Se houvesse mesmo unidade "era o que fazia sentido". 

“O que existe em matéria de negociações, para mim, é nada, zero. Tenho visto pequenas notas que saem não sei de onde”

E diz mais: "Qualquer militante do PS olhará para o acordo com olhos que não serão muito diferentes dos meus".

Hoje mesmo, Franciso Assis garantiu ao jornal Público que não vai apelar contra o sentido de voto do partido na hora de apreciar o programa do Governo PSD/CDS-PP. 

“Não vou apelar a que desrespeitem a disciplina de voto porque a disciplina de voto é importante”. Caso contrário, “o país entra num quadro de ingovernabilidade”.  “Há princípios que têm de ser respeitados”, assinalou.

Recorde-se que, na sequência das eleições legislativas de 4 de outubro passado, o PS tem estado em conversações com o Bloco de Esquerda e com o Partido Comunista Português para um apoio parlamentar que permita a formação de um executivo de esquerda alternativo ao da coligação PSD/CDS-PP.

PS, BE e PCP já anunciaram que vão chumbar o programa do Governo PSD/CDS-PP, que já tomou posse, será discutido e votado na Assembleia da Repúbblica a 9 e 10 de novembro. Também nessa altura será divulgado o acordo à esquerda

Nas declarações ao Público, Francisco Assis reafirmou a sua oposição à estratégia do secretário-geral socialista, António Costa, de formar um Governo com apoio do BE e PCP, considerando tratar-se de um “erro histórico” que o PS poderá “pagar caro”.

"Um Governo do PS apoiado por um partido tão conservador como é o PCP e por um partido tão contraditório como é o Bloco de Esquerda inibe-nos de ter a capacidade de promover as reformas que o país precisa”, defendeu.

Francisco Assis reafirmou ainda que o “PS deveria assumir-se como um partido da oposição com sentido de responsabilidade e, a partir da oposição, construir uma alternativa de governação do país", referindo que "é isso que os portugueses esperam do PS neste momento”.

“É fundamental que aqueles que neste momento têm uma divergência profunda [relativamente a um Governo do PS apoiado pelo BE e PCP] se encontrem e que digam claramente que nós estamos aqui para dizer que há outro caminho, que há outra via, que temos um entendimento do que deve ser o papel do PS completamente distinto daquele que neste momento parece prevalecer no interior do partido. É só isso e nada mais”, acrescentou, sobre o almoço do próximo sábado.

Assis tem, de resto, afirmado repetidamente a sua posição contra o rumo que está a ser tomado no PS. Há duas semanas, num artigo de opinião também no jornal Público, escrevia que ignorar todas as divergências que separam o PS do PCP e BE para afastar a direita do Governo configura uma “despudorada expressão de ambição desmedida pelo exercício do poder”.