O ex-secretário-geral do PS Ferro Rodrigues afirmou, esta segunda-feira, que Portugal terá agora um Governo PSD/CDS de «semi-iniciativa presidencial», considerando inusitado que seja o Presidente da República a anunciar a apresentação de uma moção de confiança no Parlamento.

«Já temos em Portugal uma Constituição semi-presidencial e agora também teremos um Governo de semi-iniciativa presidencial», declarou Ferro Rodrigues à agência Lusa, na sequência da comunicação ao país feita domingo pelo chefe de Estado, Cavaco Silva, em que decidiu manter em funções o executivo liderado por Pedro Passos Coelho.

Para o atual deputado do PS e vice-presidente da Assembleia da República, foi «inusitado ouvir» Cavaco Silva «a anunciar que será em breve apresentada uma moção de confiança ao Governo no parlamento».

«Por isso digo que estamos perante um Governo de semi-iniciativa presidencial, ou um Governo de iniciativa presidencial possível. Tal como afirmara no passado dia 11, o discurso [de domingo] do Presidente confirmou que ele acabaria por recuar, dando posse a um Governo PSD/CDS, mas em condições de maior enfraquecimento político», sustentou o ex-ministro dos governos de António Guterres.

Na perspetiva de Ferro Rodrigues, ao fim das últimas semanas de crise política, «Portugal está pior, o sistema partidário está mais fraco e a democracia atravessa uma crise ainda maior».

Sobre os pilares da proposta de acordo de salvação nacional feita pelo Presidente da República ao PSD, PS e CDS, Ferro Rodrigues disse que considerou imediatamente «incompreensível e inaceitável» que se lançasse a hipótese de antecipação das eleições legislativas de 2015 para 2014 «e em troca o PS subscrevesse as políticas de austeridade que têm conduzido o país ao desastre».

«Penso que o secretário-geral do PS, António José Seguro, fez bem no sentido de ter assumido que o papel do PS é bater-se pelos seus pontos de vista contra a calamidade da atual política recessiva e combater as novas inconstitucionalidades que se avizinham. Seguro fez bem em não ter cedido», defendeu.