O dirigente socialista Vieira da Silva responsabilizou esta sexta-feira Passos Coelho e Paulo Portas pelo regresso do país ao século passado na economia e acusou-os de alinharem com os «poderosos» da Europa contra o interesse nacional.

Vieira da Silva, ex-ministro dos governos de José Sócrates, falava no final de um almoço comício com centenas de apoiantes socialistas em Salvaterra de Magos, município conquistado pelo PS ao Bloco de Esquerda nas últimas eleições autárquicas.

«O Governo andava a dizer que a recuperação tinha chegado, mas, infelizmente, não é assim, porque para encontrar um valor de criação de riqueza tão baixo como o do último trimestre é preciso recuarmos até 2011. Para encontrarmos valores de emprego tão baixos, temos de recuar ao século passado e, para encontramos valores de investimento como o do último trimestre, é preciso recuarmos até à década de 80 do século passado», sustentou, recebendo muitas palmas.

Para o ex-ministro da Economia, o resultado das políticas do primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, e do vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, «fez Portugal recuar ao século passado».

«Esta regressão não era necessária, mas tem responsáveis: o PSD e o CDS, Passos Coelho e Paulo Portas, que são as faces do recuo histórico de Portugal», considerou.

Ainda de acordo com Vieira da Silva, este Governo, «por pura ambição partidária, por obsessão ideológico, dobrou a austeridade necessária e alinhou a sua voz com aqueles que quiseram impor a tese de que só os portugueses são responsáveis pela crise».

«Mas já não há responsáveis pela especulação financeira como aquela que pôs o mundo à beira da catástrofe em 2008 e 2009? É falso que sejam os portugueses os responsáveis pela crise. Ao alinhar com as vozes dos poderosos da Europa, este Governo está contra o interesse nacional e contra o seu povo», declarou.

Vieira da Silva recebeu depois uma prolongada salva de palmas quando defendeu que os portugueses «trabalham mais horas do que a maioria dos europeus, reformam-se mais tarde do que quase todos os europeus e têm salários mais baixos».

«A responsabilidade não é nossa e alinhar com o discurso dos ricos e dos poderosos da Europa só serve para nos enfraquecer», insistiu.

Na primeira intervenção da sessão, o vice da bancada socialista e líder da Federação de Santarém, António Gameiro, afirmou que, «ao contrário de outros que fizeram campanha escondidos no distrito, o PS esteve na rua».

«O distrito de Santarém não teve qualquer investimento nestes últimos três apenas, apenas cortes de salários e de pensões», acusou António Gameiro.