O cabeça de lista do PS às eleições europeias, Francisco Assis, reclamou esta quinta-feira uma vitória do PS e dos socialistas nos diversos países para enfrentar a direita «liberal e conservadora» e a austeridade «patológica» do Governo português.

«Uma vitória da direita em Portugal e na Europa significaria a manutenção destas mesmas políticas», disse Francisco Assis, que falava em Lisboa numa sessão da convenção «Novo Rumo para Portugal», organizada pelo PS.

O cabeça de lista diz que é necessária uma «maioria da esquerda democrática no Parlamento Europeu» que introduza «uma mudança na vida europeia».

Para além das observações sobre a Europa, o socialista foi também crítico na sua intervenção para com a atuação do Governo que, diz, «por opção própria», seguiu nos últimos três anos «por uma via de austeridade radical e até mesmo patológica».

«O país está mais pobre, a nossa economia está mais débil, a nossa sociedade está mais desigual, as perspetivas para os jovens são cada vez piores, os idosos veem-se confrontados, numa fase final das suas vidas, com uma sensação de risco como não havia memória no nosso percurso coletivo recente», analisou Francisco Assis.

Para o deputado do PS e candidato agora ao hemiciclo de Bruxelas e Estrasburgo, Portugal está hoje «muito pior» do que estava em 2011.

«O país perdeu esperança, confiança e olha hoje com distância para as instituições e o próprio projeto europeu. Este é o balanço desta política», advertiu.

A nível interno, o PS, diz Assis, «faz bem em não ceder aos apelos para entendimentos» que seriam concretizados sobre «os escombros dos princípios políticos e ideológicos mais profundos» dos socialistas.

«Não nos peçam para que sejamos cúmplices do processo de destruição de um modelo de sociedade que nós próprios contribuímos para idealizar», sublinhou.

O debate eleitoral para as europeias, reconheceu ainda Francisco Assis, vai ser «duro» no «bom sentido da palavra», havendo a obrigação dos partidos falarem «claro» aos portugueses.

Os partidos da direita, acredita contudo o candidato, vão «fazer tudo» para derrotar a esquerda e vão «recorrer mais uma vez à propaganda mais primária visando enganar de novo os portugueses».

As eleições para o Parlamento Europeu decorrem em Portugal a 25 de maio.