O PS apontou o défice orçamental de 5,9 por cento como uma prova de que o país está muito longe de uma situação de consolidação orçamental, instando o Governo a mudar a «receita» de «cortes sobre cortes».

«Depois de tantos sacrifícios pedidos aos portugueses, a verdade é que o défice está nos 5,9, ou seja, muito próximo dos 6% e muito longe dos 5,5% que é a meta atual do Governo e ainda mais longe do défice que inicialmente estava previsto», afirmou à Lusa o dirigente socialista Óscar Gaspar, a propósito dos dados divulgados esta manhã pelo INE.

«Estamos hoje muito longe de uma situação de consolidação orçamental», sublinhou Óscar Gaspar, insistindo que «cortes sobre cortes não resolvem problema nenhum dos país, nem sequer o problema das finanças pública».

Além disso, acrescentou, a política de «cortes» coloca em causa o presente e o futuro do país, porque a economia «não consegue levantar-se com esta situação orçamental».

O dirigente socialista destacou ainda o facto de a única rubrica que baixou ter sido a rubrica da despesa de capital, nomeadamente o investimento.

«O único sitio onde o Governo está a cortar é no investimento», criticou o dirigente socialista, reiterando que «a receita não está a funcionar» e que se está «muito longe do rumo certo».

Défice serve de «desculpa»

A deputada do BE Mariana Mortágua defendeu que o «défice é a desculpa de que o Governo precisa para impor o empobrecimento do país».

«Independentemente da austeridade que este Governo impõe, aliás, quanto mais austeridade impõe, pior é a consolidação orçamental. Só podemos tirar uma conclusão: o objetivo da austeridade não é consolidar o défice. O défice é a desculpa de que este Governo precisa para impor um plano de empobrecimento ao país, para fazer as pessoas aceitarem os cortes salariais, as alterações ao código laboral, toda esta austeridade», afirmou.

«Em 2012, a meta do défice era 4,4% do PIB. Foram impostos nove mil milhões (de euros) de austeridade neste país, em subidas de impostos, cortes salariais. O défice, em vez de ficar nos 4,4, ficou nos 6,4% do PIB. Em 2013, a meta era 4,5% do PIB. Em nome desse ajustamento, foram impostos cinco mil milhões (de euros) de austeridade. A meta passou depois para 5,5. O primeiro-ministro veio depois dizer que era 5,9», descreveu.

Mariana Mortágua frisou depois que, face aos números revelados pelo INE, «o défice é praticamente o mesmo que existia em igual período no ano anterior, que era 6,1 por cento do PIB».