O PS defendeu esta quarta-feira no parlamento que o Estado deve manter «no mínimo 51% do capital da TAP» e, «em caso algum, deve perder a posição de controlo» na transportadora aérea portuguesa.

«O PS neste debate, como sempre, assume que o Estado deve manter, no mínimo 51% do capital da TAP e, em caso algum, deve perder a posição de controlo que tem na empresa estratégica que é necessária ao país, que é necessária à economia, e cujos méritos e reconhecimento é feito por muitos», afirmou o deputado Paulo Campos.

A posição socialista foi expressa durante o debate de um projeto de resolução do BE de recusa da privatização da TAP.

«A TAP deve continuar nas mãos do Estado para prosseguir aquela que foi sempre a sua tarefa, assegurar o desenvolvimento da nossa economia, ser a maior exportadora e ser um contribuinte líquido da nossa economia», frisou Paulo Campos.

Na abertura do debate, a bloquista Mariana Mortágua pediu à maioria PSD/CDS-PP que se deixe de «fantasias liberais» e mantenha pública a «maior exportadora» portuguesa, que considera uma «empresa estratégica» e «crucial para soberania do país», apontando para a situação da PT, como um exemplo a evitar.

O deputado do PSD Paulo Cavaleiro defendeu que, para os sociais-democratas, esta «não é uma questão ideológica», mas que «é necessário defender o valor da empresa», desafiando o vencedor das eleições primárias no PS, António Costa, a cumprir «compromissos» relativamente à transportadora, que «permita à TAP ser a empresa forte que já é hoje, mas lhe permita crescer».

O deputado do CDS-PP Hélder Amaral não vê contradição, «a não ser como um constrangimento ideológico», em que a TAP seja privatizada e mantenha «o ‘hub' de Lisboa», continue a assegurar as ligações «à diáspora e aos países de língua portuguesa», bem como às ilhas portuguesas.

«Como é dinheiro privado, é dinheiro do ‘demo'», questionou-se o deputado centrista.

Pelo PCP, o deputado Bruno Dias exigiu ao Governo o fim da "política de sabotagem económica e terrorismo social" que considera o executivo está a dirigir à companhia de bandeira portuguesa, impedindo, por exemplo, a "aquisição de peças fundamentais".

José Luís Ferreira, de «Os Verdes», recusou a que a privatização da TAP seja uma inevitabilidade: «Já vimos esse filme», disse.

No debate que seguiu, de dois projetos de lei - do PCP e do BE -, para a revogação do decreto-lei que privatizou a empresa geral de fomento EGF, repetiu-se a dinâmica do debate anterior, com o PS a recordar as iniciativas que teve para tentar impedir essa privatização.