O candidato às primárias do PS António Costa considerou sábado à noite «inaceitável» o Governo dizer aos portugueses que têm de escolher entre o futuro dos filhos e o presente dos pais.

Durante um comício em Viseu, António Costa lembrou que o Governo socialista fez «uma grande reforma da Segurança Social que foi apontada em toda a Europa como exemplar pela garantia da sua sustentabilidade futura».

Já o Governo liderado por Passos Coelho está «a fragilizar a Segurança Social», graças ao aumento do desemprego e da emigração, que têm levado à diminuição das contribuições.

«O que é necessário não é sacrificar os pensionistas de hoje, é garantir e criar condições económicas para que o desemprego diminua, para que a emigração diminua e voltemos a ter uma Segurança Social sustentável», defendeu.

O também presidente da Câmara de Lisboa lamentou que essa não seja a prioridade do Governo, que prefere antes «fomentar o egoísmo, a inveja e a divisão dos portugueses».

«E dizer-nos esta coisa absolutamente inaceitável na sociedade e nas nossas famílias, que é termos de escolher entre o futuro dos nossos filhos e o presente dos nossos pais», sublinhou, considerando que «essa é uma escolha indigna de uma sociedade decente».

Para António Costa, «todas as mães e todos os pais querem seguramente o melhor para os seus filhos», mas também têm de querer o melhor para as mães e pais, aos quais tudo devem.

De acordo com a Lusa, António Costa falava na Aula Magna do Instituto Politécnico de Viseu, que encheu com mais de 400 pessoas. Assim que entrou, mostrou-se muito surpreendido por haver tantas pessoas na sala.

«É que não tendo visto lá fora camionetas, não sei como é que chegaram a Viseu tantas e tantos doutores de Lisboa», ironizou, numa alusão às declarações do seu adversário nas primárias, António José Seguro, que referiu que o voto de um agricultor em Montalegre é precisamente igual ao de um doutor em Lisboa.

De acordo com o presidente da Câmara de Lisboa, hoje [sábado] foi um dia cheio de surpresas, porque foi muito bem recebido, «com grande calor e apoio», em Alfândega da Fé, Bragança, Murça, Vila Real, Santa Marta de Penaguião, Régua e Viseu.

«Quando liguei para Lisboa preocupado que a cidade devia estar vazia porque todos os doutores e doutoras se tinham mudado para todos estes sítios, disseram-me que não, que estavam lá. E eu não percebi. Então quem estava cá, quem é que eu estava a encontrar se não eram as doutoras e os doutores de Lisboa?», questionou.