O PS considerou hoje que o presidente da Comissão Europeia está a tentar criar um clima psicológico para a aceitação de mais sacrifícios e que não se pode negociar com um primeiro-ministro com posições contraditórias.

Estas posições foram assumidas pela presidente do PS, Maria de Belém, em conferência de imprensa, depois de questionada sobre o facto de o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, ter afirmado que será mais seguro para Portugal o recurso a um programa cautelar a partir de junho deste ano, após o final do atual resgate financeiro.

«Penso que Durão Barroso está a falar cedo demais e se está a falar cedo demais é porque tem certamente um objetivo: Criar o clima psicológico adequado para fazer com que as pessoas estejam disponíveis para aceitar os sacrifícios impostos por este Governo e pelos seus aliados, entre os quais o próprio Durão Barroso», declarou a ex-ministra dos governos de António Guterres.

Na perspetiva de Maria de Belém, a atuação do presidente da Comissão Europeia tem-se caracterizado por um «permanente jogo de mensagens subliminares».

Já em relação ao esclarecimento feito no domingo pelo presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, de que o Governo está interessado num apoio do PS a uma solução pós-troika (Banco Central Europeu, Comissão Europeia, Fundo Monetário Internacional), a presidente do PS contrapôs que o primeiro-ministro também dissera antes que não precisaria dos socialistas para esse efeito.

«O primeiro-ministro diz uma coisa e diz também o seu contrário, sistematicamente. Quando uma pessoa diz uma coisa, mas também o seu contrário, como é evidente, não podemos negociar, porque não sabemos se o que estão a dizer é verdade e na vez seguinte já não é», alegou Maria de Belém.

Já no que respeita às posições assumidas pelo presidente do CDS, Paulo Portas, a favor de um entendimento político de médio e longo prazo com o PS em nome do interesse nacional, Maria de Belém reagiu: «Gostaria de dizer a Paulo Portas que o interesse nacional já existia na crise de julho passado».

«Na sequência dessa crise, Portugal viu as suas taxas de juro subirem de forma grave para os interesses nacionais», disse, numa alusão ao pedido de demissão de Paulo Portas do cargo de ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros.