O deputado socialista Eurico Brilhante Dias sustentou esta sexta-feira que o desemprego teria sido mais elevado no último trimestre sem aumento da procura interna, enquanto o primeiro-ministro defendeu que houve redução do desemprego jovem e de longa duração.

Posições que foram assumidas na segunda parte da interpelação do PS a António Costa no debate quinzenal na Assembleia da República.

Na parte final da sua intervenção de resposta a questões colocadas pelo socialista Eurico Brilhante Dias, o primeiro-ministro defendeu que os mais recentes indicadores económicos demonstraram "o acerto das opções" do Governo.

O que os números do Instituto Nacional de Estatística (INE) revelam sobre emprego é que a população empregada é maior do que há um ano", começou por defender o líder do executivo.

Mas o primeiro-ministro desenvolveu ainda mais a sua interpretação sobre os dados do INE relativamente ao trimestre passado.

A população desempregada é menor do que há um ano, a taxa de desemprego jovem diminuiu relativamente ao trimestre anterior e a taxa de desemprego de longa duração é agora menor do que no anterior. Não é razão para deitar foguetes, mas é preciso também responder a quem deita foguetes quando os números não são bons", declarou António Costa.

Numa intervenção muito contestada pela bancada do PSD, Eurico Brilhante Dias citou a estimativa rápida do Instituto Nacional de Estatística (INE) referente ao segundo semestre de 2015, que se terá traduzido por uma desaceleração da economia portuguesa, assim como as recentes quebras nos mercados angolanos e brasileiro.

"O que teria acontecido se este Governo não tivesse decidido estimular mais a economia através da procura interna? Se não tivéssemos investido mais como prioridade na procura interna, então [Pedro Passos Coelho] estaria a dizer que o desemprego teria crescido muito mais", apontou Eurico Brilhante Dias.

Para o PS, o emprego nunca foi uma variável do processo de ajustamento, tendo sido sempre antes uma prioridade política", contrapôs.