O candidato à liderança do PS António Costa garantiu que a construção de uma alternativa política na Madeira que desaloje o PSD do Governo Regional será «uma prioridade» da sua direção, se vencer as primárias.

«A Madeira está num momento histórico de viragem. Ao fim de largas dezenas de anos, a Quinta Vigia vai mudar de inquilino», declarou, num jantar/comício de apoio à sua candidatura, realizado no Parque de Santa Catarina, no Funchal.

António Costa lembrou que «a implosão interna no PSD Madeira é um sinal claro de que vai haver uma mudança política».

«Podem contar comigo e com a próxima direção do PS para que a construção de uma alternativa na Madeira e a construção de um novo Governo Regional da Madeira assente no PS será, para nós, uma prioridade política», acrescentou.

O candidato às primárias do PS considerou ser tempo de «encerrar a época do conflito».

«É preciso, de uma vez por todas, assentarmos Portugal nesta tripla dimensão do nosso território continente, Açores e Madeira, na lógica da cooperação e da solidariedade porque Portugal é um todo na pluralidade e na diversidade do seu território que temos de tratar como uno, numa forma cooperante e solidária entre todos nós», sustentou.

António Costa realçou que «os Açores e a Madeira não são um peso para o país mas uma grande mais-valia».

O candidato a líder do partido nas eleições primárias de 28 de setembro referiu ainda que para «mudar Portugal, é preciso mudar o PS».

«Para Portugal mudar é preciso também que o PS mude e o PS tem de mudar desde logo voltando a ser um bom exemplo de um partido democrático e de um partido que é um exemplo da democracia», indicou, numa condenação ao aparecimento de quotas pagas de militantes que já faleceram.

O candidato aproveitou a ocasião para comentar implicitamente as propostas avançadas pelo seu adversário na corrida interna, António José Seguro, para alterar o sistema eleitoral.

«Não vale a pena acharmos que devolvemos a confiança dos cidadãos na política alterando as leis eleitorais ou organizando eleições primárias se, depois, dentro da nossa própria casa, não dermos o exemplo e continuarmos a permitir situações escandalosas como aquelas que ocorreram quando pessoas que já faleceram estão a aparecer com as quotas a serem pagas», argumentou.

António Costa criticou ainda o atual mapa judiciário, que entrou hoje em vigor em todo o país.

«Eu não posso simplesmente prometer o que é que irei fazer. Eu posso dizer mais, eu fui ministro da Justiça e eu não fiz este mapa judiciário, eu não fechei estes tribunais e, pelo contraio, o que eu fiz foi aproximar a Justiça dos cidadãos, porque é próxima dos cidadãos que a Justiça tem de ser administrada, é próxima dos cidadãos que a Justiça tem de ser prestada, porque a Justiça é um bem fundamental e tem de ser acessível a todos os cidadãos», sustentou.

A finalizar, António Costa apelou a todos os militantes, simpatizantes e aos que estão descontentes com o Governo de Pedro Passos Coelho que votem no dia 28 de setembro: «É uma opção nacional, quem liderará a alternativa e quem será o próximo primeiro-ministro de Portugal».

O mandatário nacional da candidatura de António Costa, o açoriano Carlos César, disse também que o futuro Governo do PS deve olhar as ilhas «como parceiros na tarefa de recuperar Portugal».

O ex-secretário de Estado Bernardo Trindade, o líder do Grupo Parlamentar do PS na Assembleia Legislativa da Madeira Carlos Pereira, e Violante Matos salientaram as qualidades de António Costa, considerando-o «o mais apto» para assumir o cargo de primeiro-ministro de Portugal nas eleições de 2015.