O líder do PS, António Costa, acusou esta sexta-feira o Governo de «teimosia», por «não aproveitar» os «sinais de mudança» que a Europa começa a dar para alterar a «trajetória» da economia portuguesa.

António Costa, que falava durante um jantar de Reis promovido pelas estruturas do PS de Ponte da Barca, que juntou cerca de 500 apoiantes, reconheceu que «os sinais de mudança na Europa são ainda insuficientes», mas «demasiado importantes» para não serem aproveitados.

«Com uma Comissão Europeia a dizer que a prioridade deve ser dada ao investimento, que a prioridade deve ser a de evitar a estagnação económica, que a prioridade deve ser combater o desemprego, e quando vem dizer que é necessário alterar as políticas para alterar os resultados, aquilo que nós encontramos do Governo não é o apoio a estes sinais da Europa mas, pelo contrário, a persistência e a teimosia», sustentou.

Uma estratégia que, segundo o secretário-geral do PS, coloca o país «na continuação de um caminho que só tem produzido desemprego, paralisação da economia e emigração em massa».

Defendeu a necessidade «de uma grande aliança com os portugueses, agentes económicos, universidades, juventude e idosos, para devolver confiança e mobilizar o país para enfrentar e vencer esta crise».

O líder socialista acusou ainda o Governo PSD-CDS/PP de querer «convencer» o país «de que o pior já passou», mas adiantou que os números da evolução económica hoje avançados pelo Banco de Portugal (BdP) não trouxeram «boas notícias».

«Aquilo que o BdP nos veio dizer é que, pelo quinto mês consecutivo, a economia portuguesa voltou a abrandar», afirmou.

Para António Costa, estes dados «significam que a troika foi-se embora, que este governo ficou, e se há algo que é pior que a troika, é este Governo, a sua política e os resultados que nos tem apresentado».

Costa disse que os «resultados desta ação governativa» não devem «abater» os portugueses, porque este ano «vão poder escolher uma alternativa».

«Essa alternativa é a dos cidadãos, da escolha popular, do direito que os portugueses têm de escolher o seu caminho, quem querem para os governar, que programa querem para ver executado e qual o futuro que querem para o seu país», disse.

Preconizou também «uma verdadeira descentralização do país» que «devolva às autarquias as competências e a organização que devem ter».