O coordenador económico do PS, Mário Centeno, acusa o Governo de não saber fazer contas e desafia a coligação PSD/CDS-PP a concentrar-se na apresentação das suas contas antes de falar do programa económico socialista de forma pueril.

"A coligação não fala das suas contas porque não as tem. Foi também por isso que a UTAO [Unidade Técnica de Apoio Orçamental] colocou reservas ao programa de estabilidade e é por isso que continuam a errar na leitura que fazem das contas do programa eleitoral do PS", afirmou à Lusa Mário Centeno.


Mário Centeno reagia assim às afirmações do social-democrata Luís Montenegro, que desafiou este sábado os socialistas a explicar como as portagens podem financiar a segurança social, e do centrista Luís Pedro Mota Soares, que disse que as propostas do PS vão fazer disparar o défice.

"Um Governo que, quatro anos depois de tomar posse, apresenta défices na ordem dos 7,3 e 5,4% não sabe fazer contas. A redução do défice face a 2011 é de 0,1%. Ao contrário do que diz o primeiro-ministro, a despesa da administração central subiu no primeiro semestre 2,7% e os impostos sobem porque não são feitos os reembolsos. Assim, com o dinheiro dos outros, é fácil. Mas não é sério."


Para o coordenador do programa económico socialista, o PS demonstrou "que uma outra política gera mais crescimento mais investimento, e garante o cumprimento das metas orçamentais" e aconselhou a coligação de direita de, "antes do falar dos números do PS, falar dos seus, se conseguir".

"Depois de quatro anos de ataque à segurança social, que continua no programa de estabilidade com os 600 milhões de euros de corte nas pensões, e no programa eleitoral com o plafonamento e a descapitalização da segurança social, é natural que a coligação não perceba o que é respeitar os compromissos com os portugueses", acusou.

De acordo com Mário Centeno, "o PS tem um conjunto de medidas que promovem o emprego, ao mesmo tempo que garantem a sustentabilidade da Segurança Social, fazendo crescer os salários e as receitas da Segurança Social através de fontes de receita adicionais que estão todas identificadas no programa eleitoral".

"A doutora Maria Luís Albuquerque não leu os documentos mas comentou. Se o doutor Montenegro e o doutor Mota Soares leram, ainda não sabemos, mas não perceberam. O respeito do programa eleitoral do PS pelos portugueses está acima destas intervenções pueris."