O líder parlamentar do PS admitiu, esta quinta-feira, que nas negociações entre o Governo e a Comissão Europeia sobre o Orçamento para 2016 haja alterações ao documento, mas declarou que "certamente" haverá uma aproximação de Bruxelas ao conteúdo do mesmo.

"Creio que se chegará certamente a um entendimento, a uma aproximação de posições, e pode haver alguma correção a introduzir da nossa parte, como pode haver e certamente haverá uma aproximação da Comissão Europeia às explicações que o Governo português a todo o tempo está a prestar", vincou Carlos César aos jornalistas no final da reunião de hoje da bancada parlamentar socialista.


Esta quinta-feira de manhã também o líder parlamentar do PSD sustentou que o resultado do esboço de Orçamento do Estado para 2016 está a ser colocado em causa de forma generalizada, tanto a nível nacional como internacional, e desafiou o Governo a "corrigir o tiro".

Carlos César e Luís Montenegro falaram depois de a TVI noticiar que as contas feitas por técnicos da Comissão Europeia apontam para que em 2016 o défice português possa chegar aos 3,4%, em vez dos 2,6% previstos pelo Governo do PS, e o crescimento económico fique em 1,6% e não em 2,1%.O líder parlamentar sublinhou que "os contactos, esclarecimentos" entre o executivo e Bruxelas "não é um processo inédito".

"Se fizermos um exercício de memória sobre o que aconteceu com a apresentação do último Orçamento do Estado (…) verificarão que as observações e comentários feitos pela Comissão Europeia são em quase tudo idênticos aos que agora são feitos ao governo para o orçamento de 2016", advogou.

Carlos César reiterou a defesa do executivo socialista em "articular o seu programa" de Governo e as suas propostas de crescimento económico e melhoria do rendimento dos portugueses com os "compromissos no plano internacional, e em particular no plano europeu".

"As opiniões da Comissão Europeia, nesta fase, são apenas opiniões. E são opiniões que estão a ser contraditadas e esclarecidas pelo Governo português", disse ainda.

A posição do executivo, todavia, não é "inamovível", até porque "nunca as posições são inamovíveis" e "seria pouco inteligente negociar com a União Europeia dizendo que não se modifica uma letra, um número".

"Diálogo é justamente troca de impressões e explicações sobre estas matérias. Temos razões fundadas para apresentar os indicadores e números que apresentamos", frisou Carlos César.