O cabeça de lista do PS às europeias disse este domingo que já nada espera do Governo, considerando irrelevante o modo como Portugal sairá do programa de assistência financeira, porque fundamental é saber o estado atual e futuro do país.

«O modo da saída é completamente irrelevante», afirmou Francisco Assis aos jornalistas, em Beja, durante uma visita à feira Ovibeja, referindo que «as condições em que se vai processar a saída resultam mais de fatores externos do que fatores internos» e «a saída limpa não era uma exigência do PS», mas sim «a solução mais natural e que esteve prevista desde o primeiro momento».

As questões «fundamentais» são duas, ou seja, «o estado em que o país se encontra e quais são as perspetivas futuras» para Portugal e, «infelizmente, desse ponto de vista, já nada espero deste primeiro-ministro e deste Governo», disse.

Portugal «está melhor ou pior do que estava há três anos? A meu ver está muito pior, por duas razões: em primeiro lugar, porque não houve capacidade para fazer uma apreciação crítica dos efeitos das políticas aplicadas em resultado da entrada da troika em Portugal e, em segundo lugar, porque o Governo, deliberadamente, foi muito mais longe do que aquilo que a troika alguma vez preconizou», disse.

Segundo Francisco Assis, «só nos últimos dois anos, o valor da austeridade aplicada ao país foi duas vezes superior àquele que constava no memorando de entendimento assinado com a troika».

«Por opção própria do Governo, optou-se pela austeridade», a qual «teve resultados catastróficos para o país» dos pontos de vista económico, social e até das questões ligadas às finanças públicas, disse, referindo que, atualmente, a dívida pública portuguesa «é muito superior, em termos percentuais, ao que era há três anos».

«Como é que vamos sair. Vamos sair com as mesmas políticas de austeridade que têm este efeito de prejudicar o nosso tecido económico, de acentuar as nossas clivagens sociais?», questionou.

Ou, «pelo contrário», continuou, «vamos encontrar, em articulação com os nossos parceiros europeus, condições para formulação e aplicação de uma outra política, que cultive o rigor na gestão das finanças públicas, mas que ao mesmo tempo crie condições para recorrermos a instrumentos que proporcionem o crescimento económico e a libertação de recursos para os investimentos público e privado?».