António Costa recusou, no sábado, a possibilidade de o PS seguir a solução de liderança bicéfala do Bloco de Esquerda, tendo um candidato a primeiro-ministro eleito em primárias e um secretário-geral diferente eleito pelo partido.

De acordo com a Lusa, a posição foi assumida pelo presidente da Câmara de Lisboa no final da reunião da Comissão Nacional do PS, depois de criticar a proposta do secretário-geral, António José Seguro, no sentido de realizar já eleições primárias, abertas a simpatizantes, para escolher o candidato socialista a primeiro-ministro.

«A solução tem de ser clara. A solução não será clara se for bicéfala, assim tipo Bloco de Esquerda com Catarina Martins e João Semedo. Essa não é uma boa solução para um partido que tem a ambição de ser Governo - isto, admitindo que para o Bloco de Esquerda esteja a ser boa solução», declarou António Costa.

Ainda em relação à proposta de eleições primárias, o dirigente socialista criticou a lógica «de quem as ganha é candidato a primeiro-ministro e quem perde continua como secretário-geral do PS».

«Estou disponível para tudo, mas penso que deve haver uma solução clara e rápida que permita ao PS ter uma resposta eficaz para o objetivo de mudar de Governo e mudar de política. Posso ser vencido democraticamente, mas não pelo cansaço», afirmou.

António Costa convoca nova Comissão Nacional dentro de 15 dias

António Costa fez um ataque cerrado ao núcleo da direção do PS, frisando que já foi derrotado democraticamente e que só tem medo de perder quem entende a política como vitórias e estrelato.

«Percebo que outras pessoas que nunca concorreram a eleições façam muitas contas e encontram muitos jogos processuais para saber como disputam as batalhas. Por mim, é como quiserem», declarou o autarca de Lisboa.

«Seja qual for o processo, desde que democrático, eu estarei lá a expressar as minhas ideias e a cumprir o meu sentido de dever e o meu dever de consciência, que é disponibilizar-me para servir o PS e o meu país», afirmou.

António Costa colocou depois a possibilidade teórica de ser vencido democraticamente, «porque é assim a democracia».

«Só tem medo de travar as batalhas, só tem medo de perder, quem acha que a vida política é só feita de vitórias ou de estrelato. Já perdi muitas votações - e quem perdeu muitas votações aprende que a derrota não mete medo a ninguém. Perdi as eleições [autárquicas] há 20 anos em Loures, quando ninguém queria concorrer, já perdi eleições no PS e na JS, mas também já ganhei muitas - e isto dá-me uma enorme tranquilidade e muita humildade», declarou o presidente da Câmara de Lisboa.

Com primárias ou com Congresso, Costa mantém-se na corrida

Depois, António Costa deixou uma advertência aos adversários internos: «Eu não sou pessoa para desistir por questões processuais».

E foi ainda mais longe: «Eu vou-me bater com primárias ou sem primárias, com congresso ou sem congresso, com comissões políticas de federação ou sem elas, com comissão política nacional ou sem comissão política. Eu vou-me bater, mas quero uma solução política clara. Tenho muita paciência, porque estou muito seguro e muito certo de que estou a interpretar bem a vontade dos militantes do PS e a vontade dos portugueses», acrescentou.