O primeiro-ministro, António Costa, defendeu este sábado que a ideia de um bloco central que junte os dois maiores partidos empobrece a democracia, já que os cidadãos deixam de poder escolher entre duas alternativas, de continuidade ou de mudança.

A ideia de Bloco Central empobrece e fragiliza a democracia", disse hoje António Costa.

Num sistema partidário como o português, "que tem dois partidos fundamentalmente como pivots de soluções governativas, a pior forma de comprometer a possibilidade de existência de alternativas é [ter] soluções de governo que envolvam esses dois partidos”, disse António Costa.

Para o primeiro-ministro, uma solução de bloco central “limita necessariamente a possibilidade de construção de alternativas e de escolha por parte dos cidadãos".

Como regra normal de funcionamento da democracia, é bom que em cada eleição os cidadãos possam decidir votar pela continuidade ou votar pela mudança", acrescentou o chefe do executivo, que falava na abertura do Festival Visão, a assinalar os 25 anos da revista, e decorre até domingo, com várias iniciativas como debates, exposições ou 'workshops'.

A possibilidade de os cidadãos escolherem a continuação ou a mudança de política "é algo essencial" para manter "uma democracia que seja viva porque os cidadãos sabem que se não gostarem desta solução do governo têm uma solução de governo alternativa", salientou.

Comunicação social "deve ser independente face a redes sociais"

As redes sociais colocam desafios enormes à política e à comunicação social, que deve ser independente, forte e de qualidade, para permitir o contraste entre o falso e o verdadeiro, defendeu hoje o primeiro-ministro.

Se há algo que é absolutamente claro, é que a emergência das novas redes sociais coloca sérios desafios à política, mas também enormes desafios aos órgãos de comunicação social", afirmou António Costa.

O chefe do Executivo falava em Lisboa, na abertura do Festival Visão, a assinalar os 25 anos da revista, que decorre até domingo, com várias iniciativas como debates, exposições e 'workshops'.

O facto de haver redes sociais e maior liberdade de expressão "torna cada vez mais necessário podermos ter órgãos de comunicação social que sejam independentes, quer do poder político, quer do poder económico, que sejam fortes do ponto de vista social e da sua capacidade de influenciar a formação da opinião, que sejam assegurados por profissionais competentes e com uma deontologia robusta", realçou o governante.

Para António Costa, a melhor forma de defesa das 'fake news' é ter uma "comunicação social de qualidade" que permita fazer "o contraste entre o que é falso e o que é verdade, ou pelo menos a busca da verdade".

Isto exige algo que as redes sociais não fazem, ou seja, que os órgãos de comunicação social "assegurem o contraditório, porque só no contraditório nos podemos aproximar da verdade", acrescentou.

Quanto mais redes sociais nós tivermos, mais necessitamos de órgãos de comunicação social que sejam o garante da qualidade da informação", resumiu o primeiro-ministro.

A existência de bons órgãos de comunicação social, afirmou, "é essencial" para o futuro da democracia.

António Costa disse ainda que a fragilidade social e financeira dos órgãos de comunicação social, a limitação da dimensão das redações e o seu empobrecimento qualitativo, em termos da diversidade dos saberes, e "a precaridade nas relações de trabalho no jornalismo enfraquecem a qualidade da comunicação social e são uma ameaça séria a termos uma democracia bem informada".