O secretário-geral do PS admitiu esta quinta-feira ver com «grande apreensão» os desenvolvimentos sobre a base das Lajes, mas sugeriu que os Açores poderão ser o centro de projetos comuns com os Estados Unidos relacionados com o mar.

«Não posso deixar de transmitir a grande apreensão com que encaramos os recentes desenvolvimentos sobre a base das Lajes», admitiu António Costa, numa intervenção num encontro com legisladores Luso-Americanos, promovido pela Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD).

Dizendo compreender que os americanos tenham necessidade de fazer um reescalonamento das forças militares fora do território, António Costa notou, contudo, a «posição crucial» dos Açores.

A 8 de janeiro, o Pentágono anunciou uma redução da presença nas Lajes, de 650 para 165 pessoas, e uma diminuição gradual dos trabalhadores portugueses de 900 para 400 ao longo deste ano.

«Há um dado que está para lá da conjuntura, há um dado que está para lá dos tempos, há um lado que é permanente, é que no meio do Atlântico entre a Europa e os Estados Unidos, estiveram, estão e estarão os Açores», sublinhou, notando que o arquipélago e a ilha Terceira «têm outra dimensão que não exclusivamente militar».

A este propósito, o secretário-geral do PS lembrou que está pendente nas Nações Unidas a aprovação da extensão da plataforma continental portuguesa, notando a «grande riqueza» que constitui o mar.

«O mar, que tanto serviu no passado a Portugal e aos portugueses para descobrirem tantas regiões no mundo, ainda é um grande desconhecido que ainda está por descobrir», referiu, considerando que este setor constitui uma área da maior importância para o desenvolvimento de projetos comuns de investigação e valorização da riqueza marítima entre Portugal e os Estados Unidos.

«Os Açores podem ser, têm todas as condições para poderem ser o centro desta nova posição e desta nova atenção conjunta a uma missão sobre o mar e sobre esta grande plataforma atlântica», acrescentou.

Na intervenção inicial, a única parte do encontro com os legisladores luso-americanos aberta à comunicação social, António Costa defendeu ainda o reforço das relações entre Portugal e os Estados Unidos, nomeadamente na área económica, onde os «investimentos e comércio bilateral está muito aquém daquilo que pode e deve ser a ambição».