O líder socialista, António Costa, acusou este sábado o Governo de "fingir" a privatização da TAP e de favorecer os privados, ao garantir que o Estado assume o risco de a dívida da empresa não ser aos bancos.

"Aquilo que este Governo fez foi fingir que privatizava a TAP toda, mas ficando o risco todo do lado de cá e toda a oportunidade do lado de lá", disse o líder socialista.


António Costa, que falava em Coimbra, num plenário com militantes, acusou ainda o executivo de Pedro Passos Coelho de "fazer um favor aos privados", considerando que quem compra o capital "também assume os riscos da compra do capital".

Numa sala completamente cheia, o secretário-geral socialista disse que o PS sabia que a empresa precisava de se capitalizar e aceitava, no limite, que houvesse uma privatização de 49% do capital da transportadora.

Para o dirigente socialista, a "famosa" privatização da TAP assenta num modelo particularmente interessante: "se tudo correr bem para o privado a privatização pode consumar-se, mas se houver algum azar e as coisas não correrem bem, então a TAP pode ser devolvida ao Estado".

"Pois correndo mal, é o Estado que tem de arcar com as responsabilidades e os privados poupados a arcar perante a banca", sublinhou António Costa, que falou durante cerca de 25 minutos, numa intervenção que antecedeu o debate com militantes.

O risco de a dívida da TAP não ser paga aos bancos ficou do lado do Estado, com as instituições bancárias a ficarem com o poder de renacionalizar a transportadora aérea, noticia hoje o semanário Expresso.

Citando o documento que deu origem ao acordo entre a Parpública e os bancos, sob despacho do Governo, que dá garantias às instituições bancárias, o Expresso escreve que "em caso de incumprimento ou desequilíbrio financeiro, os bancos têm o direito de obrigar a Parpública ('holding' do Estado que detinha a totalidade do capital da companhia aérea) a recomprar a TAP".

"As negociações de última hora deram aos bancos a segurança de que, se for necessário, o Estado repõe a garantia pública à dívida bancária", escreve o jornal, acrescentando que "em causa estão quase 770 milhões que euros, que incluem uma dívida bancária de 646,7 milhões e 120 milhões adicionais pedidos pelo consórcio comprador para o financiamento corrente".