O ex-candidato presidencial Manuel Alegre acusou segunda-feira à noite o secretário-geral socialista, António José Seguro, de recorrer a um «populismo incompatível com o PS» ao propor a redução do número de deputados de 230 para 181.

«Isso não é a cultura democrática do PS. Isso é populismo incompatível com o PS», disse, sustentando que «falso moralismo nada tem a ver com a transparência ou ética republicana».

Manuel Alegre, que falava numa ação do candidato às primárias António Costa, em Coimbra, sustentou que a ideia de «arco da governação é uma armadilha que pretende amarrar o PS à direita, como uma espécie de 3.º partido à direita», frisando a necessidade de diálogo e de «trabalho sem ilusões» com o PCP e o BE e de espaço para movimentos de cidadãos.

Aquando da fundação do partido, «defendíamos uma democracia parlamentar e um parlamento pluripartidário, com uma larga representação nacional, onde coubessem as mais diversas sensibilidades», recordou Manuel Alegre, considerando que a proposta de Seguro «põe em risco a permanência dos mais pequenos partidos».

Referindo-se a António José Seguro, o histórico socialista frisou que «o líder político [do PS] não se pode comportar como se não houvesse história», criticando também a proposta do atual secretário-geral para a redução do número de deputados.

O também membro fundador do partido realçou que o PS não tem de ter «medo das eleições» primárias, comentando que estas fortalecem o partido, ao conseguir «mobilizar muitos militantes tristes e inativos» e ao dar uma «oportunidade a muitos portugueses de participarem numas eleições tão importantes para o país».