O deputado socialista Alberto Costa considerou «grave» que a presidente e o secretário-geral do PS ainda não tenham condenado publicamente os incidentes ocorridos com António Costa no final da Comissão Nacional de domingo.

No final da Comissão Nacional do PS, que se realizou em Ermesinde, concelho de Valongo, dezenas de populares aplaudiram o secretário-geral, António José Seguro, quando saiu da reunião, mas depois, alguns deles, insultaram o presidente da Câmara de Lisboa.

Para Alberto Costa, ex-ministro da Administração Interna e da Justiça dos governos de António Guterres e de José Sócrates, são «inaceitáveis e graves os insultos e tentativas de agressão a António Costa».

«Insultos e agressões de que no passado alguns de nós fomos vítimas, como aconteceram com Mário Soares», acrescentou Alberto Costa na sua declaração à agência Lusa.

De acordo com o deputado socialista, os episódios ocorridos em Ermesinde «têm a gravidade de virem do interior do PS».

«É por isso grave que a presidente do PS, Maria de Belém, e o secretário-geral, António José Seguro, ainda não tenham vindo condenar este ato e promover o apuramento de responsabilidades, como se impõe, para evitar qualquer hipótese de repetição do sucedido. Qualquer omissão neste domínio pode representar uma responsabilidade muito grave em relação ao futuro», advertiu ainda o ex-ministro socialista.



Também o secretário nacional do PS para a Organização, Miguel Laranjeiro, lamentou e condenou todos os incidentes ocorridos nas últimas semanas no debate interno dos socialistas, frisando que «os excessos são sempre reprováveis».

«Lamentamos todos os incidentes que tenham ocorrido nos últimos dias. Qualquer excesso é sempre reprovável. Devemos estar concentrados no debate das propostas alternativas para o PS e para o país», defendeu o dirigente socialista.

Em declarações à agência Lusa, Miguel Laranjeiro fez depois um apelo à «mobilização de todos os militantes e simpatizantes socialistas para, de forma construtiva, participarem no debate».

«Estão marcadas eleições primárias para dia 28 de setembro. É esse debate que devemos privilegiar com respeito mútuo por todas as opiniões e posições dentro do partido», acrescentou o secretário nacional do PS para a Organização.