O secretário-geral do Partido Socialista (PS) disse, este sábado, que tem sido alvo de uma campanha nos últimos três anos, razão pela qual sente que chegou a altura de se defender.



Em entrevista no «Jornal das 8» da TVI, António José Seguro defendeu que na «política não vale tudo». O líder socialista explicou que esteve em silêncio durante a última semana por causa do dever que tem para com a Comissão Nacional do PS, depois de o presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, ter manifestado disponibilidade para assumir a liderança do partido.



«Sinto que chegou a altura de me defender porque houve uma campanha ao longo destes três anos em todo o espaço mediático para me fragilizar, a começar pelos analistas, a maior parte deles de direita», acusou o secretário-geral-socialista.



António José Seguro garantiu que quebrou o silêncio com o objetivo de estar «em todos os lugares» a defender as próprias propostas, as ideias do PS e «esta forma diferente de fazer política».



Questionado sobre se ficou magoado com a atitude de António Costa e de outros militantes do PS que apoiam o autarca de Lisboa, Seguro confirmou.



«Como é que um líder de um partido não pode estar magoado quando há um ataque destes ao Partido Socialista? Quando militantes do próprio Partido

Socialista enfraquecem o Partido Socialista», questionou. «Quando o que está em cima da mesa é apenas: sai daí, demite-te para eu ir para lá», acrescentou, sublinhando que está em causa retirar o lugar a um líder democraticamente eleito.



António José Seguro sublinhou a esse propósito que «ganhar eleições custa muito» e «recuperar a confiança dos portugueses custa muito mais», apontando que o PS ganhou «duas eleições em oito meses».



Sobre a possibilidade do PS vir a ter pessoas diferentes como secretário-geral e como candidato a primeiro-ministro, Seguro foi perentório ao afirmar que isso não vai acontecer. «Porque eu vou ganhar essas eleições. Vou disputá-las e vou ganhar. Tenho ideias, tenho um projeto, tenho uma equipa e espero merecer a confiança dos portugueses», defendeu.



O líder do PS disse também que olha com «bastante tristeza» para o momento que o partido vive atualmente, apontando António Costa como culpado e defendendo que «estes jogos de poder eram escusados».



Seguro acusou o autarca de Lisboa de ter usado os resultados das eleições europeias como pretexto para manifestar a vontade em ser líder do PS. O secretário-geral dos socialistas deixou mais uma vez a garantia de que não tem medo e que não se demite do cargo que agora ocupa.



Em relação à proposta que vai apresentar para a realização de eleições primárias abertas não só a militantes como a simpatizantes do PS para a escolha do candidato ao cargo de primeiro-ministro, Seguro disse que espera que esse processo aconteça o mais rapidamente possível.

«A minha responsabilidade não é meter a cabeça na areia: é agir. E desse ponto de vista considero que aquilo que é melhor para o nosso país e para o PS é abrir um processo de escolha do candidato a primeiro-ministro que seja um processo onde possam participar os militantes do PS, mas também os eleitores do PS», afirmou.

«Há diversas opiniões no interior do Partido Socialista e aquilo que eu considero é que é importante que essas opiniões se traduzam para se pronunciarem (...) e aquilo que eu fiz foi uma abertura do sistema partidário. Nunca mais voltaremos para trás», garantiu.

VÍDEO: a entrevista de António José Seguro na íntegra