O PS transmitiu esta sexta-feira aos representantes da troika que Portugal deve regressar aos mercados em pleno a partir de junho de 2014, tal como a Irlanda, e recusou qualquer novo corte nos salários.

Estas posições foram assumidas por Eurico Brilhante Dias, membro do Secretariado Nacional do PS, no final de uma reunião com os representantes da troika, que durou cerca de hora e meia, no âmbito da décima avaliação ao Programa de Assistência Económica e Financeira a Portugal.

A delegação do PS na reunião com a troika foi liderada pelo secretário-geral, António José Seguro, tendo dela também feito parte o presidente do Grupo Parlamentar, Alberto Martins, e os dirigentes Carlos Zorrinho e Óscar Gaspar.

«O PS foi claro e inequívoco: o caminho que Portugal deve trilhar para sair do programa de assistência é o mesmo caminho que foi tomado pela Irlanda, que termina o seu programa em dezembro e regressará em pleno aos mercados. Portugal deve seguir esse caminho. O PS secunda em grande medida a vontade dos portugueses sobre um regresso em pleno de Portugal aos mercados», declarou Eurico Brilhante Dias em conferência de imprensa, na qual se recusou sempre a revelar as posições que foram transmitidas pela troika ao longo da reunião.

Interrogado se existem perspetivas comuns em torno de um regresso de Portugal em pleno aos mercados, Eurico Brilhante Dias referiu que, ao longo dos últimos três meses, o Governo apresentou já «três versões: por época da campanha autárquica, o primeiro-ministro [Pedro Passos Coelho] falou de um segundo resgate; depois, o Governo falou num programa cautelar; mas, após a Irlanda regressar em pleno aos mercados, o Governo passou a dizer que o regresso pleno era o objetivo.»

«Não será nunca o PS, em qualquer circunstância, a contribuir para que esse cenário de regresso pleno aos mercados não se concretize», acentuou o dirigente socialista.

Segundo o membro da direção do PS, tal como em anteriores reuniões, a delegação socialista criticou o caminho seguido «pelo Governo e pela troika, alegando que o país não atingiu os resultados esperados, já que o desemprego se encontra mais elevado do que o previsto inicialmente, a economia portuguesa revela «fortes dificuldades» em matéria de consolidação orçamental e o Produto Interno Bruto (PIB) «continua a decrescer».

«Um programa de ajustamento não é necessariamente um programa de empobrecimento. Tal como o Governo e a troika estão a executar o programa, faz com que o país esteja mais pobre e os portugueses vivam muito pior», sustentou.

Na questão sobre uma eventual redução dos salários, o dirigente socialista revelou que a direção do PS colocou essa pergunta aos representantes da troika «e obteve uma resposta».

«Mas não divulgamos, porque essa foi a resposta da troika. Pela troika fala a troika», alegou, antes de comunicar a posição dos socialistas.

«O país tem vindo a perder procura interna de forma mais acelerada. Uma política de redução de salários não trará a Portugal mais competitividade, nem vai resolver o grave problema de desemprego. O PS reafirmou que a política de austeridade pela austeridade não resolve o problema», acrescentou.

O PS apresentou também aos representantes da troika as suas propostas para a reforma do IRC, estimando o respetivo impacto financeiro e defendendo que esse conjunto de medidas é essencial para o crescimento e emprego.

«Apresentámos as nossas propostas [de reforma do IRC] e, como sempre, detalhámos o seu impacto financeiro. O PS tem assumido uma posição: todas as propostas que apresenta têm neutralidade fiscal no quadro de cada cenário macroeconómico», disse.