O ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, considerou “absolutamente necessário” haver consensos entre PS e PSD relativamente à justiça, segurança interna, defesa nacional, política europeia e política externa.

Numa entrevista publicada na edição de hoje do Público, Augusto Santos Silva disse que os consensos com o PSD “já existiram, continuam a existir e é importante para o país que continuem a existir”.

É evidente que a política externa portuguesa é de largo espetro político-partidário. Em relação a todas as prioridades há um consenso que atravessa todo o Parlamento. Se retirarmos das prioridades da política externa a questão, única e sensível do Atlântico Norte, o apoio é unânime”, salientou.

Questionado sobre se considera haver mudança do PCP e do Bloco de Esquerda em relação à Europa, o governante lembrou que no último semestre “aconteceram muitas coisas históricas”.

“Diria, sem querer ser ofensivo para ninguém, que a política portuguesa se caracteriza por toda a esquerda estar a mexer e a direita não. Isto foi evidente na campanha eleitoral [das legislativas], mais pela parte do Bloco que sempre foi um partido por uma outra Europa, mas houve também um ‘aggioarnamento’ do PCP que pessoalmente saúdo”, sublinhou.

Augusto Santos Silva recordou também que “há leituras diferentes”, mesmo entre PS e PSD, relativamente às prioridades da União Europeia e da ligação norte-atlântica”.

Entre o PS e o PSD na justiça, na segurança interna, defesa nacional, política europeia, política externa, no comprometimento com a união económica e monetária, os consensos não só são potenciais, mas absolutamente necessários”, defende o ministro.

Questionado sobre se Pedro Passos Coelho é um obstáculo a esses consensos, Augusto Santos Silva disse que “cabe aos militantes do PSD decidir” se o ex-primeiro-ministro é um “obstáculo ou um trunfo”.