Centenas de reformados concentraram-se esta quarta-feira em frente da Assembleia da República em protesto contra cortes nas pensões, exigindo «respeito» e o fim dos «roubos» mas também cantando «Grândola», a música ícone do 25 de abril.

No dia em que no Parlamento se debatia o Orçamento Retificativo estiveram na rua a Associação de Aposentados, Pensionistas e Reformados (APRe) e os dirigentes do movimento de reformados da central CGTP, Inter-Reformados. Os mesmos protestos ainda que com palavras de ordem diferentes.

Pela APRe juntaram-se algumas centenas de manifestantes, para dizer que não desistem da luta contra os cortes nas pensões. «Temos algumas providências cautelares metidas e vamos ser recebidos no princípio de fevereiro no Parlamento Europeu, para que nossa luta comece também a ser sentida de outra forma no estrangeiro», disse à Lusa José Vieira, da direção da APRe.

Além de indignação o dirigente falou também de incompreensão, reafirmando depois o que muito já se tem falado: atualmente muitos pensionistas são «a autêntica segurança social das famílias», ajudando filhos e netos em dificuldades.

«Não conseguimos perceber porque é que reformados, pensionistas e aposentados são os bodes expiatórios (da crise). Não somos contra o facto de que os cidadãos tenham de pagar impostos, não percebemos é porquê reformados, que não tem outra maneira de ganhar a vida, que já trabalharam, já construíram o Estado social, fizeram o 25 de Abril, alguns a guerra colonial... demos tanto a este país porque e que neste momento somos nós as vítimas?», questionou José Vieira.

A poucos metros Fátima Canaveses falava pelos Inter-Reformados, sobre o desagrado pelas penalizações aos reformados no Orçamento Retificativo, a contribuição extraordinária de solidariedade mas também o alargamento da base de incidência dessa contribuição «que abrange mais cerca de 200 mil reformados».

«Este é um imposto só sobre pensionistas, aposentados e reformados, e considerado por nós inconstitucional porque viola o princípio da igualdade», assegurou, cartazes à volta, em riste: «A redução dos escalões é mais um roubo nas pensões», «Com o aumento dos bens essenciais não conseguimos viver mais».

E do lado da APRe bandeiras, brancas e negras, com palavras como «as pessoas contam» ou «nós votamos». E palavras de ordem, também em verso: «governo! deputados! não roubem os reformados», «parem de roubar quem viveu a trabalhar!».

Luís Ferreira de Almeida fez a tropa em Angola e começou a trabalhar na Carris em 1971. Diz à Lusa que lhe tiraram o complemento de reforma de 210 euros, entre outros cortes, e ainda tem de ajudar os netos. E sim, viveu a trabalhar, e está também a protestar contra «o reforço nos cortes das pensões e o aumento da contribuição para a segurança social», como diz uma carta enviada pela APRe à Assembleia da República.

E ali também para cantar «Grândola, vila morena», embora o que queria mesmo era dizer ao Governo «que deixe de cortar aos reformados que não têm grande reforma».