O Bloco de Esquerda criticou esta segunda-feira o PS por se juntar ao PSD e CDS com propostas que “põem em causa a sustentabilidade da segurança social para a abrir a privados”.

O líder parlamentar do BE, Pedro Filipe Soares, considerou, em conferência de imprensa, que a proposta de reforma da segurança social do PS partilha do mesmo erro de base dos partidos da governação: a premissa de que baixando os custos do trabalho se gera emprego.

Segundo aquele dirigente bloquista, os dados recentes da economia “demonstram que, apesar dos custos do trabalho terem baixado mais de dez por cento no setor privado, a que se somam cortes ainda maiores no setor público, o investimento das empresas estagnou e não se criou emprego”.

“À posição conhecida da maioria PSD/CDS de querer reduzir a Taxa Social Única (TSU) paga pela entidade patronal, o PS junta agora a novidade de querer cortar os descontos feitos pelos trabalhadores, sem apontar alternativas de financiamento” disse.


Para Pedro Filipe Soares, o PS pretende juntar essa perda de receita “à pressão já atualmente existente pela elevada taxa de desemprego”, e o resultado será “inequívoco”.

“A sustentabilidade da segurança social fica em risco e com isso terá de ser aumentada a idade da reforma, o que é uma dupla penalização dos trabalhadores e uma escolha deliberada para acabar com a sustentabilidade da segurança social”, observa.

Pedro Filipe Soares não poupa críticas também “à abertura do PS a que sejam feitos descontos específicos para um sistema semi-privado nos salários mais elevados, uma espécie de PPR de nova geração”.

“Isso demonstra que não há uma vontade defender a sustentabilidade da segurança social, as pensões futuras e os direitos dos trabalhadores que hoje estão no ativo, mas sim a vontade de abrir a privados a segurança social e com isso a descapitalizar”, acusa,como cita a Lusa. 


Existe alternativa, defende o Bloco de Esquerda, que é atuar em contraciclo através do investimento público e da partilha de emprego para dinamizar a economia, distribuindo mais salários para fomentar o consumo interno.

“O limite das 35 horas semanais de trabalho garantia a inclusão de novos postos de trabalho, de mais pessoas a trabalhar, e essa é a garantia de estabilidade da segurança social: com mais pessoas a trabalhar há mais descontos e mais segurança social para todos. Essa é a nossa proposta e única garantia de que a segurança social será sustentável”, conclui.