O PS afirmou esta quinta-feira que, tendo em conta a sucessão de avaliações positivas por parte da troika, Portugal tem que ter «um final do programa e uma saída do programa como teve a Irlanda», ou seja, sem programa cautelar.

«Aproximamo-nos do final dos três anos [da assistência financeira]. Até agora, tivemos as avaliações positivas. [Por isso], ninguém compreenderá que, no final do programa de ajustamento, Portugal saia do mesmo com qualquer tipo de apoio e condicionalidades por parte de instituições internacionais», afirmou aos jornalistas o deputado socialista Pedro Nuno Santos.

Para o deputado, que falava após uma reunião com os elementos da troika (Fundo Monetário Internacional, Comissão Europeia e Banco Central Europeu) que estão em Lisboa para a décima avaliação regular, «as avaliações positivas até agora têm de ter como consequência um final do programa e uma saída do programa como, obviamente, já teve a Irlanda».

Sem avançar detalhes sobre a posição dos elementos da troika durante a reunião, Pedro Nuno Santos adiantou ainda que o PS voltou a interrogar o responsável do Fundo para «saber quem é que fala em nome do FMI» e para saber, «quais as consequências disso, a partir do momento em que há esse assumir de erros por parte de uma das instituições que compõem a troika».

A diretora-geral do FMI, Christine Lagarde, admitiu numa declaração no Parlamento Europeu no início desta semana que a instituição errou quanto aos efeitos da austeridade nos países europeus em maiores dificuldades.

Questionada sobre as consequências das políticas de austeridade recomendadas pelo FMI na situação económica e social dos países em maiores dificuldades, reconheceu que a instituição errou na hora de calcular esses efeitos no desemprego e no crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). «Como resultado, demo-nos conta que era necessário mais tempo para a aplicação dos programas a países (resgatados como é o caso da Grécia e Portugal)», num registo da Lusa.

«A austeridade tem de ser interrompida», afirmou Pedro Nuno Santos, citando os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística e do Banco de Portugal para defender que «o que estes dados mostram é que, de facto, alguma coisa durante este ano permitiu que a procura interna».

«Contra a estratégia do Governo e da troika, este crescimento [no segundo e no terceiro trimestres] foi conseguido e está obviamente comprometido se as medidas de austeridade inscritas no Orçamento do Estado para 2014 forem efetivadas», rematou o deputado socialista.