O vice-primeiro-ministro do XX Governo Constitucional que pode cair esta terça-feira no Parlamento em consequência da moção de rejeição do programa do Governo, Paulo Portas, fez, numa intervenção longa, um feroz ataque a António Costa, criticando o seu silêncio até ao momento, neste que é já o segundo dia de discussão do programa.

“Curiosamente, neste debate que serviu como o primeiro debate daquilo que tem designado como novo paradigma, o secretário-geral do PS não deu o corpo ao manifesto, revelando até onde a ferida da ilegitimidade o assusta e até onde o retrai a perceção de que a vontade real do povo foi defraudada”, disse Paulo Portas.

“Nós já fomos os bombeiros do vosso resgate duas vezes. A vossa conduta assemelha-se à dos pirómanos do regime. Não seremos cúmplices dessa consequência”, disse Paulo Portas.


“Antes primeiro-ministro por uns tempos do que líder da oposição toda a vida”, afirmou Paulo Portas sobre António Costa. Uma frase que arrancou aplausos das bancadas à direita e um sorriso de António Costa.

Neste ataque, o vice-primeiro-ministro insistiu na mesma tónica várias vezes: “Será um primeiro-ministro politicamente ilegítimo”. Portas começou por explicar que, durante o primeiro mês da nova legislatura, foram quebradas várias convenções e que estas “não podem ser exercidas em contramão”, enumerando que “quem ganha as eleições governará o país, quem tem mais deputados preside à câmara, um governo saído de eleições tem o benefício da dúvida e vê o seu programa não rejeitado”, e que “um país do euro não coloca o epicentro da governabilidade na dependência de partidos ou coligações que legitimamente não acreditam no euro ou querem sair do euro na primeira esquina”.

“Será um primeiro-ministro politicamente ilegítimo” e que “preferiu pôr o país insolitamente à espera do Comité Central do PCP, agora e nos tempos que aí vêm” e não negociar de "boa fé" com a coligação. 

"A vossa manobra não é bem um governo, é uma geringonça", a descrição de Paulo Portas aos acordos das esquerdas. 


E a "vossa geringonça o que nos oferece é uma espécie de bebedeira de medidas" e as "bebedeiras têm um só problema: chama-se ressaca", disse Portas. “Se mais à frente se vir aflito, se mais à frente não conseguir gerir a pressão explosiva da demagogia - competição entre o Bloco e o PCP de um lado e do realismo dos compromissos em Bruxelas do outro-, não venha depois pedir socorro”, avisou Paulo Portas, numa afirmação que foi brindada com sorrisos de António Costa e Mário Centeno. 

Paulo Portas acusou as esquerdas de "impedirem que governe a maioria relativa que ganhou as eleições para forçar um governo da minoria relativa que perdeu as eleições".

Paulo Portas foi aplaudido de pé no final do discurso.

"A atitude do PS faz lembrar aquele meninos de quem a bola é só deles", disse Portas em resposta a Carlos César, lamentando que quem venceu as eleições não vá governar.