A líder do CDS-PP explicou esta quinta-feira que a alteração do projeto de resolução sobre os programas de Estabilidade e de Reformas foi feita para "obrigar a que se clarifique quem está com Governo" e esclarecer a coautoria destes documentos.

No final de uma visita a obra de requalificação urbanística no centro de Lisboa, Assunção Cristas foi questionada pelos jornalistas sobre os motivos que levaram o CDS-PP a alterar o projeto de resolução relativo aos programas de Estabilidade e Nacional de Reformas, pedindo a sua rejeição.

Obrigar a que se clarifique quem está com o Governo. E estar com o Governo não é estar à segunda e à terça não estar. É estar sempre que o Governo precisa desse apoio", respondeu a líder do CDS-PP.

Assunção Cristas explicou ainda que, uma vez que o CDS-PP foi "acusado de estar com alguma manobra e de não querer efetivamente votar o documento" - o PCP falou de "uma visão instrumental, a roçar a chicana política" - então os centristas tiraram "teimas" na quarta-feira no Parlamento, tomando a "iniciativa para que tudo fique clarificado".

A líder do CDS-PP rejeita a ideia de que possa haver "qualquer crise política à vista", uma vez que "todos eles [PCP, BE e PEV] têm dito que apoiam e que estão firmes no apoio ao Governo".

Então que o digam com clareza para que os portugueses saibam desta cumplicidade ou desta coautoria de instrumentos tão relevantes e que vinculam o país para os próximos anos", apelou, como cita a Lusa.

Por que é que o CDS não pediu a rejeição desde o início

Questionada sobre o porquê do CDS-PP não ter utilizado esta formulação de rejeição dos documentos desde o início, Cristas justificou que os centristas entendem que "quem apresenta estes documentos, que é o Governo, deve e deveria através da sua maioria parlamentar propor estes documentos a votação e estando confortável com essa maioria não deveria ser um problema para o Governo".

A nossa base de partida foi não estarmos nós, oposição, a impor uma votação, mas a sugerir e a promover que a votação viesse a ocorrer. Demos várias oportunidades para que isso acontecesse", assegurou.

A deputada centrista insistiu que "é muito importante que quem está com o Governo diga que está com o Governo e também está com este Programa de Estabilidade e com este Programa Nacional de Reformas".

Se não é assim, então pois entendam-se. Têm um acordo, que revejam o acordo".

Para Cristas, o interesse nacional que o CDS defende passa pela denúncia dos "erros deste Programa Nacional de Reformas", para não deixar que aconteça o mesmo que em 2011.

"Todos ganham em clarificar as suas posições. Eu fico satisfeita em ver que o PSD também é contra este Programa de Estabilidade", concluiu.

O CDS propôs na quarta-feira a rejeição do Programa de Estabilidade e a revisão do Programa Nacional de Reformas, no sentido de "não reverter" as reformas estruturais do anterior Governo, segundo o requerimento de substituição entregue no parlamento.

O requerimento alterou o projeto de resolução anteriormente entregue pelos centristas, que recomendava ao Governo que submetesse a votos o Programa de Estabilidade 2016-2020, propondo agora a sua rejeição.