Por: Redacção / HB | 23- 1- 2009 17: 9
Os deputados do PS João Bernardo e Odete João acusaram esta sexta-feira o CDS-PP de «falta de coerência política», considerando
que o projecto de lei dos democratas-cristãos agora chumbado «não corresponde aos anseios dos professores», noticia a Lusa.
«A falta de coerência política do CDS-PP não contribui para a melhoria do processo de avaliação de desempenho
e é inconsequente», lê-se na declaração de voto apresentada pelos dois deputados no final da votação do diploma do CDS-PP
para suspender a avaliação dos professores.
O diploma do CSD-PP para suspender a avaliação dos professores foi
hoje rejeitado com os votos contra de 116 deputados do PS.
Ao lado do resto de toda a oposição e «desalinhados»
da sua bancada parlamentar, os deputados socialistas do PS Manuel Alegre, Eugénia Alho, Júlia Caré, Teresa Portugal e a independente
Matilde Sousa Franco votaram a favor do diploma, somando 113 votos.
Declaração de voto
Na declaração
de voto, os deputados João Bernardo e Odete João criticam o projecto do CDS-PP, considerando que veicula um modelo de escola
que «não se coaduna com a defesa da escola pública, não corresponde aos anseios dos professores, nem lhes confere mais garantias
no processo de avaliação».
Além disso, acrescentam os dois deputados socialistas, o diploma do CDS-PP «transformado
em lei da República, constituiria uma base susceptível de condicionar futuras alterações e negociações».
Na declaração
de voto, os deputados João Bernardo e Odete João reconhecem a sensibilidade da matéria da avaliação dos professores, defendendo
a necessidade de consensos que garantam a estabilidade e permitam às escolas «a serenidade para o desempenho da sua missão».
Por isso, referem ainda a identificação de um conjunto de problemas na aplicação do modelo de avaliação conduziu a uma alteração
do decreto regulamentar sobre esta matéria.
«Tranquilidade»
Os dois deputados socialistas fazem
ainda referência a um projecto de resolução do CDS-PP discutido em Dezembro, que defendia a suspensão de algumas normas e
com o qual concordaram.
Contudo, sublinham, «excepto uma das normas, todas têm expressão no novo diploma, entretanto
publicado».
Por isso, e como o projecto de lei do CDS-PP agora apresentado «retoma outras recomendações enunciadas
no projecto de resolução e que fazia depender do processo de negociações prévias entre o ministério da Educação e os sindicatos»,
os dois deputados socialistas dizem não poder concordar com ele.
«A falta de coerência política do CDS-PP não
contribui para a melhoria do processo de avaliação de desempenho e é inconsequente», salientam os deputados socialistas, reiterando
a necessidade de «uma avaliação de desempenho justa e credível que devolva às escolas a tranquilidade».
Para
isso, acrescentam, «é também essencial a rectificação do concurso para professores titulares, gerador de muitas injustiças
e onde não se premiou a competência e o mérito profissional».
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