Deputados socialistas afirmaram esta segunda-feira que os problemas registados nas urgências se devem ao desinvestimento no Serviço Nacional de Saúde (SNS), enquanto o PSD sublinhou a contratação de médicos reformados para os hospitais.

Duas comitivas de deputados eleitos por Santarém, do PS e do PSD, estiveram esta segunda-feira no hospital de Abrantes, do Centro Hospitalar do Médio Tejo (CHMT), em momentos distintos, para se inteirarem dos problemas verificados no serviço de urgências e ao nível de recursos humanos, entre outros, e foram recebidos pelo conselho de administração do CHMT.

Em declarações à agência Lusa, a deputada socialista Idália Serrão declarou que o «desinvestimento e a desqualificação» do Governo no Serviço Nacional de Saúde (SNS) está na origem dos problemas que se verificam nas urgências hospitalares, com elevados tempos de espera, uma situação que, afirmou, «tem o verdadeiro intuito de beneficiar os privados».

«O desinvestimento do Governo na área da saúde faz com que esta chegue cada vez mais a menos pessoas e em piores condições, pelo que ficam criadas as condições para que os privados comecem a criar respostas no mesmo território. Eu acho que isso é muito perverso, com uma saúde para ricos e outra para pobres, e eu acho que esse é o verdadeiro intuito deste Governo.»


A deputada criticou a «falta de recursos humanos, falta de articulação entre cuidados primários de saúde e cuidados hospitalares (o que leva os utentes a deslocarem-se para as urgências dos hospitais), gestão das altas em cuidados continuados e paliativos» e, no caso do CHMT, «a falta de mobilidade para os utentes», já que o centro hospitalar é também composto pelas unidades de Tomar e Torres Novas.

Os três equipamentos distam cerca de 30 quilómetros entre si.

Idália Serrão defendeu a suspensão do pagamento das taxas moderadoras, por um período transitório, a «aposta na estabilidade dos profissionais médicos e enfermeiros» e um efetivo reforço da rede de cuidados continuados.

Já Nuno Serra, do PSD, disse à agência Lusa ter recebido da administração a «garantia de que a situação está normalizada» e destacou «o reforço da capacidade técnica no serviço de oncologia, com a contratação de uma médica», e o reforço de 31 camas no apoio às urgências em Abrantes.

O plano de prevenção, acrescentou, inclui a abertura de mais 26 camas em Tomar e outras tantas em Torres Novas.

O deputado afirmou que «foi este Governo quem salvou o SNS, que estava falido e devia dinheiro a todos os seus fornecedores» e recordou «os 85 milhões de euros de investimento desde 2012 no CHMT, de onde se destaca o reforço de capital de 17 milhões de euros que ocorreu no final de 2014».

O representante sublinhou que o PSD tem uma proposta de diploma que visa atenuar, de forma transitória, o problema da falta de médicos nos centros de saúde e nos hospitais.

«O objetivo passa por resolver a falta de profissionais de saúde possibilitando a contratação, a meio tempo ou tempo parcial, de médicos reformados, quer pelos centros de saúde, medida já anunciada mas que ainda não está implementada, mas alargando também a medida aos hospitais. Pensamos que é uma boa solução para resolver este problema.»


O presidente da administração do CHMT, Carlos Andrade, referiu que a aposta é «reforçar e fortalecer o corpo clínico» para «tornar mais forte a oferta dos serviços de saúde».

O gestor destacou a contratação de 27 enfermeiros e 15 auxiliares, desde inícios de dezembro, e o investimento de mais de 85 milhões de euros, entre o ano de 2012 e 2014, no âmbito do plano de regularização de dívidas e aumentos de capital.

«A última tranche foi de 17,3 milhões, concretizada em final de dezembro, traduzindo um fortíssimo investimento na prestação pública de cuidados de saúde, no distrito de Santarém, em prol das populações.»