O PSD e o CDS já reagiram à posição do PS que, esta quinta-feira, afirmou que tudo fará para reverter o processo de privatização de TAP, se vencer as próximas eleições. Os partidos da maioria apelaram à "serenidade" e ao sentido de "responsabilidade" dos socialistas.

Depois de o Conselho de Ministros ter anunciado a decisão de vender a TAP ao consórcio Gateway, liderado pelo norte-americano e brasileiro David Neeleman, que está associado ao português Humberto Pedrosa (da Barraqueiro), rejeitando pela segunda vez a proposta de Germán Efromovich (dono da Avianca), o PS advertiu que a privatização da transportadora aérea está ainda numa "fase intercalar" e que um Governo socialista fará reverter o processo para garantir que o Estado conservará a maioria do capital da transportadora aérea. 

Confrontado com esta ameaça, o vice-presidente da bancada do PSD, Luís Leite Ramos, sublinhou que ficaria "muito espantado" caso um "hipotético" governo socialista viesse por em causa um contrato "assinado por um governo em legitimidade das suas funções" e "devidamente validado por quem ter de ser validado, nomeadamente pela Comissão Europeia e o Tribunal de Contas". 

 "Ficaria muito espantado que um Governo do Partido Socialista viesse por em causa um contrato desta natureza. Apelo ao PS para um pouco mais de responsabilidade, para um pouco mais de serenidade."


A mesma posição foi vincada por Hélder Amaral, do CDS, que afirmou ter "dificuldade em compreender" os socialistas em matéria de privatização da TAP.

"Estou confiante que as decisões do Governo serão estáveis e para manter, e que o PS será responsável nessa matéria. Tenho alguma dificuldade em perceber um partido que, quando é Governo, desde 1998, sempre quis privatizar ou fundir a companhia - inscrevendo a privatizando no memorando da ‘troika' e nos vários PEC [programas de estabilidade e crescimento] -, mas venha agora colocar o processo em causa."


Hélder Amaral disse que partidos como o PS "não podem dizer uma coisa quando estão no Governo e outra quando estão na oposição".

"Espero que a responsabilidade e a serenidade imperem no PS. Estou convencido que o PS será um partido responsável."


O deputado do CDS considerou que o processo de privatização é única via para "garantir o presente e o futuro" da transportadora aérea nacional.

"Outros objetivos do processo passaram pela manutenção de Portugal como plataforma estratégica [hub] na relação com a América Latina e África e, por outro lado, que a proposta aceite deveria ser aquela que garantisse capitalização à companhia. A única solução para garantir o presente e o futuro da companhia foi esta que o Governo encontrou."