O presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, indigitado esta quinta-feira primeiro-ministro pela segunda vez, dedica-se à política desde a adolescência, tem 51 anos, é formado em economia e definiu-se como "reformista" e "liberal".

À frente do PSD desde 26 de março de 2010, e reeleito em 2012 e 2014, sem nunca ter tido oposição interna organizada, Passos Coelho volta a ser nomeado primeiro-ministro depois de quatro anos de governação com o CDS-PP, parte dos quais sob assistência financeira externa, na sequência do pedido de resgate de 2011.

Nos últimos quatro anos, o presidente do PSD superou divergências governativas com o CDS-PP - que tiveram o ponto mais crítico na demissão "irrevogável" do presidente dos centristas, Paulo Portas, no verão 2013, recusada pelo primeiro-ministro - e que pareceram ultrapassadas na campanha conjunta da coligação Portugal à Frente.

Essa coligação foi a força mais votada nas eleições legislativas de 04 de outubro, com 38,5% dos votos, mas PSD e CDS-PP perderam a maioria absoluta na Assembleia da República, onde têm agora no conjunto 107 lugares, e enfrentam um quadro parlamentar em que as forças à sua esquerda somam mais de metade dos deputados.


Infância em Angola


Pedro Manuel Mamede Passos Coelho nasceu em Coimbra a 24 de julho de 1964, filho de um médico transmontano e de uma enfermeira do Baixo Alentejo, que se conheceram na Estância Sanatorial do Caramulo.

Do Caramulo, a família mudou-se para Angola, onde Passos Coelho viveu parte da infância, regressando a Portugal depois do 25 de Abril de 1974, para a terra dos avós paternos, Valnogueiras, no concelho de Vila Real.

Em maio deste ano, foi publicada uma biografia sua, autorizada, da autoria de uma assessora do grupo parlamentar do PSD, Sofia Aureliano, intitulada "Somos o que escolhemos ser", na qual é descrito como um homem racional, corajoso, dedicado à família e desapegado do poder.

Nesse livro editado pela Alêtheia, a autora faz referência à ligação de Passos Coelho à empresa Tecnoforma e às polémicas relacionadas com as suas contribuições para a Segurança Social entre 1999 e 2004 - temas com os quais foi confrontado no recente período de governação - afirmando que esses "foram anos em que este cidadão foi mais imperfeito".

Há quatro anos, na campanha para as legislativas de 05 de junho de 2011, Passos Coelho reclamou ser "o mais africano de todos os candidatos", pela sua ligação pessoal a África, por ter uma mulher guineense, Laura, e uma filha pequena que "também tem uma costela africana".


Na política desde a adolescência


Foi em Vila Real, regressado de África, que Passos Coelho se iniciou na política, primeiro participando num congresso da União dos Estudantes Comunistas (UEC), e depois aproximando-se da Juventude Social Democrata (JSD) por causa de um campeonato de cartas, aos 14 anos.

Após exercer os cargos de secretário-geral e vice-presidente da JSD, entre 1984 e 1990, foi presidente da organização de juventude do PSD em dois mandatos consecutivos, de 1990 a 1995, em pleno "cavaquismo".

Sem nunca ter exercido qualquer cargo governativo, esteve no Parlamento de 1991 a 1999, como deputado e vice-presidente do grupo parlamentar do PSD.

"Saí depois de oito anos de Parlamento sem pedir a reforma parlamentar e fui tratar da minha vida sem saber bem ainda os caminhos que havia de seguir. Fui para a universidade e fui para as empresas", relatou o próprio Passos Coelho, quando se candidatou à liderança do PSD, no Congresso de Mafra, em 2010.

Depois de ter sido derrotado em 2008 por Manuela Ferreira Leite, foi eleito presidente do PSD nas diretas de 26 de março de 2010, que venceu com 61 por cento dos votos, derrotando Paulo Rangel, José Pedro Aguiar-Branco e Castanheira Barros.

Pelo meio, criou um grupo de reflexão política "Construir Ideias", e escreveu um livro, "Mudar", editado em janeiro de 2010 pela Quetzal.

Entre 1999 e 2008, esteve mais distante da vida política, com uma curta passagem pela direção social-democrata de Marques Mendes, da qual foi vice-presidente, saindo por divergências políticas que não foram tornadas públicas.

Em 2005, foi eleito presidente da Assembleia Municipal de Vila Real, tendo sido reeleito nas eleições autárquicas de 2009.

Sobre a sua saída do parlamento em 1999, Passos Coelho disse ainda: "Não queria ficar empregado da política, não tinha lá estado com esse propósito, diga-se de passagem, nunca fui funcionário da política. Comecei a trabalhar aos 18 anos, fui pai aos 24, nunca ninguém na política me deu emprego, nunca pedi emprego para ninguém na política".


Casting para peça de La Féria


Em 2001, concluiu a licenciatura em economia pela Universidade Lusíada de Lisboa. Foi consultor da Tecnoforma e mais tarde ingressou no grupo Fomentinvest, que tem o ex-ministro da Administração Interna Ângelo Correia como presidente da comissão executiva. Passos Coelho deixou os cargos que exercia neste grupo depois de ser eleito presidente do PSD.

No PSD pós-"cavaquismo", foi apoiante de Durão Barroso contra Fernando Nogueira em 1995 e em 1996 apoiou Marcelo Rebelo de Sousa.

Internamente, disputou por duas vezes, e perdeu, a distrital de Lisboa do partido, uma vez para Pacheco Pereira a outra para Duarte Lima. E nas autárquicas de 1997 esteve perto de ganhar a presidência da Câmara Municipal da Amadora.

Casado pela segunda vez, pai de três filhas, Passos Coelho assume-se como um amante de música, tem voz de barítono e chegou a ter aulas com uma professora do Conservatório e até a inscrever-se num casting para um musical de Filipe La Féria.