António José Seguro garante que o plano de reindustrialização de que tem falado «aplica-se que nem ginjas - como se costuma dizer - à agricultura e também a este setor»: a produção de leite, apontou esta quarta-feira o próprio candidato às eleições primárias do PS. Seguro elogiou, a propósito, o «excelente progresso» feito pelos produtores de leite em Portugal, garantindo uma aposta na agricultura para evitar uma regressão num setor fundamental para o desenvolvimento económico.

O facto de Portugal ser excedentário na produção de leite é uma situação que «só se manterá» se quem produz leite for acarinhado, disse aos jornalistas numa visita à Agros, em Vila do Conde, onde reuniu com agentes agroindustriais. A propósito, destacou a importância da negociação com Bruxelas para o próximo ano, que marca o fim das quotas neste setor.

«Há muitas vezes a ideia que a agricultura exige uma permanência de 24 sobre 24 horas. Não é verdade. E por isso é necessário que todos nós, em particular os responsáveis políticos, tenhamos as respostas para que este setor não entre aqui numa regressão», sublinhou, citado pela Lusa.

Confiante que a agricultura pode ter grande influência no andamento da economia, defendeu que «nós temos que diminuir o nosso défice da balança alimentar e aqui está um setor que contribui para o aumento da nossa produção nacional».

O líder socialista frisou a «determinação, força e coragem» dos produtores de leite em Portugal: «Perante as adversidades conseguiram criar um setor muito moderno, muito desenvolvido, tecnologicamente avançado e contribuir para que nós tenhamos atingido um superavit na produção de leite do nosso país». «Aquilo que é minha responsabilidade é garantir que este progresso não regride, isto é, que nós não destruímos um setor tão importante para a nossa economia».

O plano de reindustrialização aplica-se quem nem uma luva a este setor, «designadamente» porque «quando identifico o problema do rejuvenescimento na produção de leite, aqui está um exemplo de como pode haver políticas concretas que ajudem na formação profissional, na qualificação mas também incentivos fiscais que ajudem à transição entre os agricultores já com uma determinada idade e jovens agricultores que queiram lançar-se».

Outras preocupações que recolheu junto do setor dizem respeito «à solução do problema na Ucrânia, fruto do bloqueio para as exportações de leite para a Rússia» e a importância de haver atenção quanto às matérias-primas, nomeadamente no que toca às rações.