O antigo Presidente da República Mário Soares elogiou este domingo os líderes partidários pós-25 de Abril Sá Caneiro (PPD), Álvaro Cunhal (PCP) e Freitas do Amaral (CDS), defendendo que o PS representa a esperança num país mais igual.

Mário Soares subiu à tribuna de oradores do comício do 42º aniversário do PS, no pavilhão Rosa Mota, no Porto, com simpatizantes e militantes socialistas a gritarem o slogan das suas campanhas presidenciais em 1986 e 1991, «Soares é fixe».

O antigo chefe de Estado e fundador do PS retorquiu: « Soares é fixe e tem 90 anos. Temos à nossa frente o secretário-geral [António Costa], que merece ser saudado».

Num discurso com cerca de 10 minutos, o fundador do PS referiu-se ao período da fundação deste partido, não esquecendo o apoio que foi dado pelos sociais-democratas alemães (SPD) então liderados por Willy Brandt, à revolução de abril de 1974 e aos primeiros anos da democracia, elogiando então Francisco Sá Carneiro, Álvaro Cunhal e Freitas do Amaral.

No pavilhão Rosa Mota, Soares fez um breve balanço sobre os 41 anos de democracia, ponto em que criticou «a infâmia» da destruição do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Soares terminou com uma mensagem em defesa do partido que fundou. «O PS é a esperança num mundo melhor, num mundo menos desigual. Viva a liberdade, viba a social-democracia, viva o socialismo, viva Portugal e o nosso líder aqui presidente», afirmou, referindo-se a António Costa, embora sem dizer o seu nome.

No primeiro discurso do comício, o líder da Federação do PS do Porto, José Luís Carneiro, fez um rasgado elogio político aos antigos presidentes da República Mário Soares e Jorge Sampaio.

José Luís Carneiro defendeu que foi o PS, com Mário Soares nas funções de primeiro-ministro, que permitiu a Portugal aderir à Comunidade Económica Europeia, «consolidando a democracia portuguesa e promovendo a devolução integral do poder à sociedade civil».

«Lembro também que Jorge Sampaio, como Presidente da República, foi à minha terra, Baião, e fez com que duas crianças pobres passassem a poder ir à escola», referiu.


Depois, o secretário-geral da JS, João Torres, lamentou que hoje seja difícil fazer política e acreditar na política.

«Cometemos muitos erros na nossa história, mas só com o PS foi possível consolidar a democracia em Portugal. Para nós, a liberdade é o primeiro dos valores. Para nós, todas e quaisquer discriminações merecem uma guerra sem quartel», disse João Torres, num discurso em que também lembrou a ação política de José Mariano Gago, que faleceu na sexta-feira, enquanto ministro com as pastas da Ciência e Ensino Superior nos governos de António Guterres e de José Sócrates.