Atualizada às 13:34

O Presidente da República apontou, esta terça-feira, 2014 como o ano em que Portugal conquistou «o direito a ter esperança», mas recomendou atenção para não se repetir uma «situação explosiva» e pediu para que se olhe o futuro sem «ilusões».

«Neste ano de 2014, conquistámos o direito a ter esperança», afirmou o chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva, na sessão solene das comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, que decorreu no Teatro Municipal da Guarda.

Recordando o «caminho duro» percorrido e os «tempos muito difíceis» vividos até à conclusão do programa de assistência financeira em maio, Cavaco Silva alertou para a necessidade de se ter «uma noção muito clara de duas realidades que não podem ser iludidas»: a necessidade de atenção e vigilância, nomeadamente em matéria de disciplina das contas públicas e de controlo do endividamento externo, e a importância de olhar para o futuro «sem triunfalismos ou ilusões».

Cavaco apela a uma «cultura de compromisso» entre partidos

«A fase crítica por que passámos deixou marcas e sequelas profundas. Devemos, pois, permanecer atentos e vigilantes, designadamente em matéria de disciplina das contas públicas e de controlo do endividamento externo, para não cairmos de novo numa situação explosiva, risco para o qual alguns alertaram os Portugueses em devido tempo», disse.

Por outro lado, continuou, os portugueses devem estar conscientes que se pode olhar para «o futuro com mais confiança, mas sem triunfalismos ou ilusões», não se podendo desperdiçar o «capital de credibilidade» que se conquistou à custa de tantos sacrifícios.

«O futuro reserva-nos, certamente, algumas decisões difíceis, porque não podemos esquecer as regras de disciplina orçamental a que todos os Estados-membros da Zona Euro estão sujeitos. Mas se as forças políticas revelarem o mesmo espírito patriótico demonstrado pelo nosso povo, tais decisões poderão ser tomadas num ambiente de maior serenidade e confiança», sublinhou.

Na sua intervenção, o chefe de Estado defendeu também uma atenção especial para aqueles que «sentem mais dificuldades em fazer ouvir a sua voz», nomeadamente os idosos, reformados e pensionistas, «aqueles que chegaram ao fim de uma vida de trabalho e têm o direito a uma existência digna».

«Esses portugueses têm o direito à esperança de voltar a ter as condições que lhes permitam viver para além da mera subsistência e de que sejam corrigidas algumas injustiças acumuladas durante o período de emergência», disse, defendendo igualmente a necessidade de «trazer esperança» aos desempregados, já que apesar da descida do desemprego ao longo do último ano regista-se ainda «um nível socialmente insustentável».

«Nesta nova fase da vida nacional, os reformados e os pensionistas e os jovens têm direito à esperança», enfatizou, sustentando, contudo, que a «coragem da esperança» deve estender-se a outros grupos da nossa sociedade, como os empresário e os trabalhadores, «que esperam uma melhoria das suas condições de vida e de bem-estar».