O Presidente da República, Cavaco Silva, defendeu esta segunda-feira em Braga a necessidade de se manter a estabilidade política e admitiu estar «preocupado e até um pouco triste com a situação que o país atravessa», refere a Lusa.

«Ao fim de três anos eu posso estar um pouco preocupado e um pouco triste com a situação que o país atravessa mas continuo muito determinado em falar com os portugueses, conhecer as preocupações daqueles que têm dificuldades e estimular os que têm sucesso», afirmou.

No dia em que completa três anos de mandato presidencial, o chefe de Estado garantiu que vai «manter-se no mesmo rumo, o de tentar dar confiança aos portugueses».

«Farei todos os possíveis para garantir aquilo que for bom para Portugal e isso passa pela estabilidade politica», sublinhou, frisando que mantém a opinião que defendeu enquanto primeiro-ministro.

Questionado pelos jornalistas sobre o que espera dos próximos actos eleitorais, o Presidente da República escusou-se a comentar o que disse ser uma questão «das forças partidárias», frisando que «são os portugueses a decidir».

O Presidente falava no final da visita que hoje efectuou ao Banco Alimentar Contra a Fome de Braga, no âmbito do Roteiro para a Inclusão, que incluiu, em Barcelos, reuniões com sindicalistas e com empresários.

Cavaco Silva disse não ter ficado surpreendido com a actual crise económica internacional, anunciando que, em breve, lançará uns textos sobre o assunto, mas não adiantou detalhes sobre a forma e o momento em que serão publicados.

«Procuro ser solidário com os que precisam e estimular aqueles que chegam ao sucesso», afirmou, dizendo que a proximidade com os cidadãos é uma das orientações fundamentais do seu mandato.

Cavaco Silva, fez «um apelo à consciência social dos portugueses, para que seja possível enfrentar a pobreza, derivada do desemprego, do endividamento excessivo e do enfraquecimento familiar» e disse que a atenção de todos «deve ser dirigida para as questões de emergência social».

Defendeu a criação de um Observatório Regional sobre o emprego e a economia, que agregue os actores sociais e estatais, lembrando que tal sucedeu no Vale do Ave quando foi primeiro-ministro e foi necessário combater a crise.

Questionado acerca de um possível aumento da criminalidade, referiu que mantém toda a confiança nas forças de segurança portuguesas, mas admitiu que tal possa suceder, devido a situações associadas a pobreza, desemprego, regresso de emigrantes a Portugal ou mesmo pela entrada de imigrantes.

Em matéria económica insistiu no «estímulo aos empresários para que se abram ao diálogo com os trabalhadores e os sindicatos para evitar o encerramento de empresas».

Sobre a necessidade de mais fiscalização em empresas que despedem funcionários, Cavaco Silva frisou que lhe foi dito por sindicatos e empresários que «embora haja alguns casos em que a lei não é cumprida, esses são casos excepcionais».

«O mais preocupante é que haja empresas em grande dificuldade que trabalham para exportação», afirmou, assinalando que com diálogo haverá boas perspectivas de futuro.

No capítulo da Emergência social - a segunda vertente do Roteiro - disse que lhe foram relatados «casos de pessoas que não descontaram para a Segurança Social, e que, por isso, não recebem subsídio de desemprego, e de surgimento de novos pobres, ou de pobreza envergonhada».

«Foram aqui feitas inúmeras propostas e indicações que o secretário de Estado do Emprego que me acompanha levara concerteza ao Governo», afirmou.

Interrogado sobre a possibilidade de congelamento dos salários em 2009, o Presidente da República disse não querer tomar posição «porque as empresas são diferentes umas das outras».