O candidato presidencial Sampaio da Nóvoa garantiu esta segunda-feira que não vai fazer da "omissão um estilo, da ausência um método e do silêncio um resguardo", garantindo "total independência" e defendendo o combate à corrupção e o fim da austeridade.

"Não serei um Presidente passivo. O Presidente da República não é uma figura honorífica, não é apenas uma referência simbólica, não exerce um mandato cerimonial. Cumprirei o meu mandato, plenamente, no escrupuloso respeito pelos limites constitucionais. Serei prudente e rigoroso no uso dos poderes presidenciais, mas não farei da omissão um estilo, da ausência um método, do silêncio um resguardo", garantiu Sampaio da Nóvoa, no Porto, na apresentação da carta de princípios da candidatura a Presidente da República.


O candidato a Belém deixou ainda a "garantia definitiva" de que agirá "com total independência face a forças políticas, económicas e sociais”.

"Dedicarei uma atenção especial ao combate à corrupção e à promiscuidade entre a política e os negócios, que não aceitarei nunca que interesses particulares se sobreponham ao interesse de todos", sublinhou.


Sampaio da Nóvoa disse que "é necessário abandonar políticas de austeridade que conduziram a um desastre económico e social" na União Europeia, defendendo a promoção em Portugal de "um amplo debate sobre a Europa" e garantindo que não vai aceitar "novos acordos, que afetem significativamente a nossa soberania, sem a prévia realização de um referendo nacional".

"A construção da Europa não pode ser a diminuição de Portugal, não pode conduzir ao nosso empobrecimento, à fragilização da nossa capacidade produtiva, à nossa dependência. As tensões dos últimos anos colocam em causa a coesão política da União Europeia e exigem um debate urgente sobre a sua democratização", alertou.


O candidato presidencial comprometeu-se ainda a dar continuidade ao legado de Ramalho Eanes - que esteve presente na cerimónia e lhe deu o apoio na candidatura -, Mário Soares e Jorge Sampaio, e considerou que o Presidente da República "não deve agir nem contra nem a favor dos governos ou das oposições".

Da carta de princípios do professor universitário faz ainda parte "o compromisso claro na luta contra a pobreza e contra o aumento das desigualdades" e prometeu uma "magistratura da ética e do cuidado" já que não vai permitir que "os portugueses fiquem desamparados, com um Estado tão zeloso com as suas obrigações externas e tão pouco atento às suas obrigações com os portugueses mais pobres".

O ex-reitor da Universidade de Lisboa comprometeu-se ainda com a "definição de uma estratégia nacional de valorização do conhecimento e dos jovens" e foi perentório: "não podemos continuar a forçar a emigração dos nossos jovens mais qualificados, da nossa ciência e do nosso conhecimento".

"Um Presidente pode ser muito mais do que tem sido, pode ser um de nós, pode ser alguém que junta, que une, que abre o futuro quando caminha ao lado das pessoas", defendeu.


Para aqueles que aconselham "a ter cuidado com os poetas", Sampaio da Nóvoa citou Eugénio de Andrade: "A independência tem um preço, sempre o soube, e nunca me recusei a pagá-lo" e "ser poeta também é isso, essa inabilidade para o mundo do lucro e da usura".

O antigo reitor da Universidade de Lisboa admite que é um "candidato improvável e que isso incomoda muita gente" e deixa o aviso de que "a política não serve para justificar inevitabilidades" mas sim para "dar o exemplo e para abrir caminhos, considerando que é preciso acreditar porque não se pode deixar que a esperança emigre também.