O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, disse esta quarta-feira que uma crise internacional que surja de repente nalgum ponto do globo pode perturbar a escolha do novo secretário-geral das Nações Unidas (ONU), alterando o quadro atual.

Em declarações aos jornalistas, em Nova Iorque, o chefe de Estado referiu que, daqui até ao momento da decisão, é preciso ver "se não há nenhum fator na vida internacional que de repente perturbe aquilo que é o quadro da situação que hoje existe".

Sem falar de um lugar em concreto, o Presidente da República acrescentou: "Imagine que há num ponto qualquer do globo um afrontamento entre Estados Unidos e Federação Rússia".

Como sabem, a coisa mais volátil que há, que mais muda, é a situação internacional. Uma crise num determinado ponto, um afrontamento noutro ponto, mesmo a nível dos membros países mais significativos, pode causar tensões e pode alterar o quadro que existe", advertiu.

Questionado se estava a pensar na Síria, Marcelo Rebelo de Sousa respondeu: "Pode haver [uma crise] nalgum ponto. Felizmente, não há neste momento um sinal de agravamento, para além do que já ocorreu nos últimos dias. Mas na vida internacional tem de se estar atento a esse tipo de fenómenos".

O Presidente da República defendeu que a candidatura do antigo primeiro-ministro António Guterres e a diplomacia portuguesa têm feito "tudo certo" e que esse é o quadro que atualmente existe.

Agora, há fatores externos que não dependem estritamente, nas próximas semanas, daquilo que tem sido feito", salientou.

O chefe de Estado frisou que a eleição do secretário-geral da ONU depende sobretudo dos Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido, os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança: "Cada um deles pode invocar objeções. E em última análise vai ser uma conversa que é feita entre esses membros permanentes nas últimas semanas".

Nestas declarações, Marcelo Rebelo de Sousa retomou a mensagem que levou na terça-feira à Assembleia Geral da ONU, de que o próximo secretário-geral desta organização deve guiar-se "pelo exemplo dos valores e da abordagem de Mahatma Gandhi e Nelson Mandela", num elogio a António Guterres.

O Presidente da República insistiu que "o mundo precisa de quem seja pacificador, faça pontes" e "seja capaz de falar com asiáticos, com africanos, com americanos, com europeus".

Para isso é preciso um talento e uma experiência. E quando eu dei esse exemplo é porque se tratava de pessoas que tinham esse talento inato, esse carisma, essa vocação. Realmente, ou se tem ou não se tem. Não é uma coisa que se aprenda", sustentou, acrescentando: "Nós estamos convencidos desde a primeira hora de que o senhor engenheiro António Guterres tem essa vocação".