A eurodeputada bloquista, Marisa Matias, afirmou este domingo que concorre à Presidência da República, apoiada pelo BE, não para subtrair mas para somar às outras forças para que o candidato da direita perca, recusando uma "mera continuação de Cavaco Silva".

Numa declaração, por escrito, enviada à agência Lusa e colocada no Facebook, Marisa Matias explica que não se candidata para subtrair mas para "somar novas forças às outras forças, porque todas são necessárias para que o candidato da direita não ganhe a presidência, muito menos sem passar por um exigente debate democrático".

"O que eu farei ou, pelo menos, tentarei fazer é mobilizar muitos votos que porventura não se mobilizariam por nenhuma das outras candidaturas. Assim, vou tentar somar votos que podem vir a revelar-se decisivos para que todo este vasto sector consiga ultrapassar os 50%. Se conseguirmos, certamente estaremos todos/as unidos/as a apoiar aquele ou aquela que conseguir passar à segunda volta. E, assim, dotar Portugal de um/a Presidente que não seja uma mera continuação de Cavaco Silva", justificou.

 

Sim, sou candidata.Vivemos momentos de expectativa e de esperança e, em momentos como estes, devemos saber interpretá...

Posted by Marisa Matias on  Domingo, 18 de Outubro de 2015

Assumindo que a preferência, e a aposta para a qual o Bloco trabalhou, "foi a de que existisse uma única candidatura à esquerda que juntasse forças", Marisa Matias afirma que "se há três meses isso era viável, hoje esse cenário infelizmente não existe".

"Vivemos momentos de expectativa e de esperança e, em momentos como estes, devemos saber interpretá-los e correr riscos", enfatizou.


Segundo a candidata à Presidência da República, "há outras candidaturas que têm alguns objetivos comuns", garante que, havendo muitas coisas em comum com elas, está disponível para um "debate franco mas nunca conflito com essas candidaturas".

"Mas a verdade é que somos diferentes. E cada candidatura terá o seu eleitorado e os seus apoios", refere ainda.


Marisa Matias apresenta-se para ampliar e para mobilizar, antecipando que "esta será uma candidatura com pouca pompa, mas com muita circunstância", cuja apresentação formal será feita a seu tempo.
 

Decisão unânime


A Mesa Nacional do Bloco de Esquerda (BE) aprovou este domingo a candidatura da eurodeputada bloquista Marisa Matias às eleições presidenciais de 2016, tal como  a TVI havia anunciado  na madrugada este sábado. 

A resolução que foi aprovada este domingo, por unanimidade, na reunião da Mesa Nacional do BE, prevê "a realização de sessões públicas de apresentação da candidatura de Marisa Matias à Presidência da República".
A Mesa Nacional do BE é o órgão máximo deste partido entre convenções.

Nascida em Coimbra a 20 de fevereiro de 1976, Marisa Matias é doutorada em sociologia e pertence à Mesa Nacional e à Comissão Política do Bloco. É eurodeputada desde 2009, tendo sido cabeça de lista do Bloco de Esquerda nas eleições europeias de 2014.

Na resolução hoje aprovada, o BE defende uma candidatura presidencial centrada nos seguintes temas: "As questões da soberania face aos tratados e acordos comerciais internacionais não referendados e aos poderes sem legitimidade que atentam contra a democracia e a decisão nacional; o combate ao conservadorismo e a defesa dos direitos humanos, da igualdade e da liberdade; a mobilização popular para a participação política e decisões democráticas".

"Marisa Matias é o nome indicado para protagonizar esta candidatura. A sua experiência política e reconhecimento nacional e internacional, o grande conhecimento dos temas europeus, a sua entrega às causas de direitos humanos dão as garantias de uma campanha de grande competência e capacidade de mobilização", lê-se no documento ratificado pela Mesa Nacional.


Na mesma resolução, o BE considera que a candidatura de Marisa Matias a Presidente da República "contribui para a máxima mobilização eleitoral à esquerda na primeira volta, para derrotar as ambições da direita" e "é um contributo fundamental para a participação popular no debate das grandes questões do presente ciclo político".

Nas eleições presidenciais de 2011, em que Aníbal Cavaco Silva foi reeleito à primeira volta com 52,95% dos votos, o Bloco de Esquerda apoiou, em conjunto com o PS, a candidatura do socialista Manuel Alegre, que ficou em segundo lugar, com 19,76% dos votos.

Nas presidenciais de 2006, em que os socialistas Manuel Alegre e Mário Soares se enfrentaram, o candidato do Bloco foi o então coordenador deste partido, Francisco Louçã, que ficou em quinto lugar, com 5,31%. Cavaco Silva foi eleito à primeira volta com 50,59%.

Em 2001, quando Jorge Sampaio foi reeleito Presidente da República com 55,76%, o candidato do Bloco foi Fernando Rosas, na altura dirigente bloquista, que ficou em quarto lugar, com 2,98%.