“É muito gratificante ser presidente de um povo assim, de uma nação assim”, disse o Presidente da República durante a inauguração da Casa Kastelo, a primeira unidade de cuidados continuados da Península Ibérica.

“Não sei como serão os outros presidentes da República em relação às suas nações, eu sei como é em relação a Portugal. Num momento crucial os portugueses nunca falham. Nunca falham. Conseguem fazer sopa de pedra, conseguem fazer, no meio do nada, tudo”, sublinhou Marcelo Rebelo de Sousa.

O Presidente da República referia-se à conjugação de vontades e de apoios financeiros de diversas entidades - desde autarquia, Centro Hospitalar do Porto, empresas e particulares - que permitiu concretizar o projeto da Associação de solidariedade social “No Meio do Nada”, orçado em 2,3 milhões de euros.

“Isso é mais uma razão para acreditar, vejam como um ‘Kastelo’ que começou como uma semente pequenina para cumprir uma missão que se queria pequenina, cumpre uma missão tão grande, tão enorme, tão importante. Também por isso saio daqui a acreditar naquilo que somos como pessoas e naquilo que somos como portugueses”, disse.

O chefe de Estado lembrou que “o dia acordou com uma má notícia para a Europa”, numa referência à vitória dos adeptos da saída do Reino Unido da União Europeia no referendo de quinta-feira.

“Naturalmente, eu que acompanhei durante a madrugada o que se passou, vinha para cá consternado, preocupado e a pensar como é que vamos responder a esta realidade, com determinação, com firmeza, com capacidade de entendimento, com humildade para mudar o que é necessário mudar, e de repente lembrei-me que ao lado das más noticias há outras muito boas notícias”, disse, referindo-se à Casa Kastelo.

O Presidente da República disse ainda que “o que se leva da política são momentos” como o da inauguração de hoje, referindo que “o resto, as honrarias, as importâncias, os privilégios isso passa, dura um ano, dois anos, cinco anos, não interessam”.

Presente também na inauguração, o ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, salientou que projetos como o do ‘Kastelo’ “dão sentido às palavras compaixão, compreensão e entreajuda”.

“É por isso que ao Ministério da Saúde pouco mais restaria que não fosse apoiar (…) aquele que é hoje um projeto inédito em termos da Península Ibérica, a primeira unidade de cuidados continuados para que crianças com doença crónica”, disse.

“O ‘Kastelo’ não é uma ideia fechada, o ‘kastelo' é uma oportunidade de encontrarmos defesas sólidas contra a indiferença, contra o egoísmo, contra o isolamento e contra esta ideia tão errada que o Estado é tudo. O Estado é uma parte de nós e é por isso que esta iniciativa da sociedade se configura como uma aliança virtuosa entre pessoas, comunidade, privados, sociais e, naturalmente, o Estado através do Ministério da Saúde”, frisou.

Salientou ainda a “generosidade do Centro Hospitalar do Porto que foi capaz de doar um espaço ao abandono para que ele fosse revitalizado pela melhor forma, que foi a forma de servir crianças que até aqui não encontravam as respostas de que precisavam”.

“Ensinem-nos a fazer política desta maneira porque é assim que vale a pena fazer política, pelas pessoas, pelos portugueses e por Portugal”, disse.

A nova unidade de Cuidados continuados pediátricos está situado em S. Mamede Infesta, Matosinhos, vai estar aberta 24 horas por dia, com uma unidade de dia e outra de internamento, com capacidade para acolher 30 crianças.

A unidade vai funcionar de modo experimental durante um ano e servir de modelo à expansão da rede prevista pelo Ministério da Saúde.