O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, defendeu esta sexta-feira no Porto que os portugueses “querem afeto” e esperança ao mesmo tempo que tem assistido a um “desejo de estabilidade” e “desdramatização” da política.

“Eu estou a sentir que por um lado há um desejo de estabilidade, um desejo de desdramatização, de descompressão na vida política portuguesa e por outro lado há sinais de esperança. Temos é que fazer corresponder a esses sinais de esperança, passos de esperança”, afirmou o novo chefe de Estado no final da visita ao bairro do Cerco, na zona oriental da cidade do Porto.

Por isso, Marcelo Rebelo de Sousa defendeu que é preciso “fazer corresponder, a esses sinais de esperança, passos de esperança”.

O chefe de Estado, que no percurso a pé foi ouvindo o apoio de residentes que lhe chamavam “o Presidente dos afetos”, acrescentou que “os portugueses querem afeto e querem acreditar e ter esperança, olhar para o futuro com mais esperança”.

“E nesse sentido, é o avançar para uma nova fase da vida portuguesa, as pessoas estão a precisar disso”, assinalou Marcelo Rebelo de Sousa, que lembrou como “os tempos no mundo e na Europa estão muito difíceis” pelo que “puxar para cima a alma nacional é fundamental”.

Questionado sobre a manhã no centro da cidade do Porto, o presidente da República contou como ouviu falar de problema sociais, desemprego, problemas dos reformados e pensionistas, mas preferiu destacar a “vontade de olhar para o futuro com maior esperança”.

“Isso é tão importante porque é um começo de mudança. Não é a mudança mas um começo de mudança”, frisou aos jornalistas, momentos antes de aceitar os dois pares de sapatos que o candidato presidencial conhecido como Tino de Rans lhe levou.

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No dia em que encerrou as cerimónias de tomada de posse, Marcelo admitiu que “foram três dias que não foram só de festa” e que “o estabelecer contactos com os representantes estrangeiros em Portugal é trabalho”.

Já o “estar presente junto das pessoas”, disse que “não é trabalho” mas “significa o que é uma das funções do Presidente da República”.

“Eu quis que tudo isso se juntasse numa dimensão nacional e não ficasse só em Lisboa”, assinalou o sucessor de Cavaco Silva em Belém, para quem o trabalho enquanto Presidente da República “é de todos”.

 

“Não há dons Sebastiões em democracia. O trabalho é de todos. O Presidente da República é apenas uma peça, no meio de uma realidade que é muito mais vasta e em que o essencial é cada português”, frisou o novo chefe de Estado.

E acrescentou: “Ou nós acreditamos em nós ou falta-nos a energia para ir mais longe e mais além”.

Eleito a 24 de janeiro com 52% dos votos, Marcelo Rebelo de Sousa, 67 anos, tomou quarta-feira posse como Presidente da República e encerrou esta sexta-feira as cerimónias no Porto, cidade onde, admitiu, ficou surpreendido com o “calor humano”.

O Presidente da República encerrou os três dias de cerimónias de tomada de posse numa cidade que o abraçou, a que chamou de “berço da liberdade” e onde pediu “passos de esperança”.

Na primeira vez em que um Presidente da República estende ao Porto as formalidades ligadas à sua tomada de posse, o novo chefe de Estado começou o dia na Praça General Humberto Delgado, recebido por centenas de pessoas que, entre palmas e gritos de apoio, queriam “conhecer Marcelo pessoalmente”.

Já na câmara, e depois de ter parado no percurso para receber um abraço de Manuel do Laço, o ex-comentador político ouviu o presidente Rui Moreira pedir que “lute contra a desigualdade e a injustiça” e defenda uma mudança de mentalidades para “um Portugal menos centralista”.

Ao início da tarde, Marcelo Rebelo de Sousa visitou na Galeria Municipal Almeida Garrett a “P. – Uma Homenagem a Paulo Cunha e Silva por extenso”, uma exposição sobre o vereador da Cultura que morreu em novembro.

No Largo dos Afetos, no Bairro do Cerco, Marcelo assistiu a uma exibição do projeto OUPA de hip hop por jovens residentes, liderado pela rapper Capicua, e chegou mesmo a improvisar um rap onde prometeu estar sempre “onde está a sua gente”.