O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, condecorou esta quarta-feira José Mariano Gago com a Grã-Cruz da Ordem de Sant'Iago da Espada, insígnia que entregou à mãe do cientista e ex-ministro da Ciência já falecido.

Um obrigado especial a Mariano Gago pelo seu exemplo inspirador, que também merece a Grã-Cruz da Ordem de Sant'Iago da Espada, com que decidi condecorá-lo. É um reconhecimento justíssimo a quem tanto soube e pôde fazer por Portugal", adiantou Marcelo Rebelo de Sousa na cerimónia do Dia Nacional dos Cientistas, que se comemorou em Leiria.

O Presidente da República apelou para que não se deixe "nunca cair a aposta na ciência" e que "não se perca jamais o legado de José Mariano Gago, que era um legado caracterizado por um horizonte amplo, rasgo criativo, uma liderança pessoal e institucional e uma obsessão quanto à eficácia na ação".

Neste dia dedicado aos cientistas, quero testemunhar a profunda gratidão de Portugal e dos portugueses para com José Mariano Gago. Evocando a sua memória de forma muito saudosa. Agora que nos deixou e cada ano que passa sobre o momento da separação é um ano que faz sobressair a importância da sua presença no passado, mas também da sua presença hoje e amanhã", sublinhou o Presidente da República.

Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, o "maior mérito" de Mariano Gago foi ter "construído uma obra perene, ter deixado um legado que sobreviveu ao seu desaparecimento".

Essa obra é hoje visível "nas universidades, nos centros de investigação e laboratórios, na quantidade e na qualidade da produção científica" portuguesa.

Afirmando que José Mariano Gago e muitos cientistas da sua geração se "confrontaram com o sempre eterno problema da escala da atividade científica e com a necessidade da sua internacionalização”, o Presidente da República sublinhou que "para a consolidação do sistema científico nacional que agora dá os seus frutos, cá dentro e lá fora, muito contribuiu, ou contribuiu decisivamente a visão de um homem, chamado José Mariano Gago".

"Hoje cumpre formalmente reconhecer, ao longo de décadas, como académico e governante Mariano Gago teve um projeto para a ciência portuguesa, um projeto sedimentado e amadurecido, realista, mas ousado, um programa de ação assente no estudo rigoroso dos problemas e no diagnóstico sereno dos desafios".

Marcelo Rebelo de Sousa garantiu que "não é possível separar as várias facetas da personalidade singular de José Mariano Gago, que começou por se afirmar como um aluno brilhante, um ativista estudantil, para não muitos anos depois surgir como um dos mais respeitados académicos e pensadores de ciência no nosso país".

O governante e o cientista não eram pessoas distintas e menos ainda antagónicas. Eram duas expressões complementares de um percurso de vida prematuramente terminado", reforçou.

Assinalando o Dia Nacional dos Cientistas, o Presidente da República destacou que "teria sido difícil encontrar melhor local para celebrar o dia da ciência do que esta cidade de Leiria, que é o exemplo de dinamismo, de homogeneidade social da junção de espírito empreendedor e realidade comunitária entre avanço da educação e da pesquisa e preocupação com a sua aplicação".

E é "ao mesmo tempo ponte entre a estimulante juventude e sábia experiência".

Para Marcelo Rebelo de Sousa assinalar este dia "é um imperativo de cidadania para o futuro e preito de gratidão para com aqueles que num passado recente e na atualidade são responsáveis pelo extraordinário desenvolvimento que Portugal registou, e regista, na produção do conhecimento e da tecnologia".